CORRUPÇÃO SOB INVESTIGAÇÃO

Mensagens revelam esquema de propina do PCC para delegacias de SP

Fachada do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) em São Paulo.
Fachada do Deic, citada em investigações sobre pagamentos de propina.

Operação Janus expõe diálogos em que criminosos detalham pagamentos ao Deic e distritos policiais para proteger lavagem de dinheiro da facção.

Uma rede de corrupção envolvendo agentes públicos e o crime organizado foi detalhada em representação do Ministério Público do Estado (MPSP), que aponta o pagamento sistemático de propinas a ao menos quatro unidades da Polícia Civil de São Paulo. Conforme consta nos autos da Operação Janus, deflagrada em 21 de julho de 2026, operadores financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC) utilizavam mensagens e áudios para organizar o repasse de valores a delegacias com o intuito de garantir a impunidade de um esquema de lavagem de dinheiro.

A investigação detalhou que o 13° Distrito Policial (Casa Verde), o 39° Distrito Policial (Vila Gustavo), o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e uma Delegacia Seccional teriam sido beneficiados pelos pagamentos. A prática, que fere a integridade das instituições e a segurança da sociedade, era tratada pelos criminosos como um custo operacional comum do chamado "banco paralelo" da facção.

O modus operandi da corrupção

Os diálogos interceptados, aos quais o Metrópoles teve acesso, revelam o nível de promiscuidade entre os investigados e a estrutura policial. Em uma das comunicações, Bruno Ramos Fernandes e Robson Martins de Souza discutem a urgência de providenciar dinheiro em espécie para cumprir obrigações com delegacias. Para ocultar a natureza ilícita das transações, os criminosos utilizavam códigos, como a remoção de um dígito dos valores reais, tratando repasses de R$ 75 mil e R$ 150 mil como cifras menores.

Em outra frente, áudios mostram Cléber Azevedo dos Santos solicitando R$ 100 mil para atender a um suposto pedido de agentes do Deic. Em uma gravação específica, Cléber chega a mencionar que policiais do setor de crimes cibernéticos teriam solicitado R$ 300 mil para não indiciar um dos operadores do esquema, Robson Martins de Souza.

Desdobramentos da Operação Janus

A Operação Janus, iniciada em 21 de julho de 2026, mirou o núcleo de lavagem de dinheiro do PCC, responsável por converter recursos ilícitos em transferências bancárias legais via empresas de fachada. Até o momento, a Justiça expediu 18 mandados de prisão preventiva. Entre os detidos estão figuras centrais do fluxo financeiro, como Robson Martins de Souza e Bruno Ramos Fernandes.

Em uma das conversas analisadas, datada de 15 de junho de 2026, a desfaçatez da relação ficou evidente: ao enviar uma foto da fachada do Deic a um doleiro, um dos operadores ironizou a unidade, chamando-a de "banco" que apenas recebia depósitos. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi procurada para comentar as denúncias, mas ainda não se manifestou. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

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