JUSTIÇA E SEGURANÇA

Promotoria pede milhares de ano de prisão para a cúpula da Mara Salvatrucha

Edifício do Tribunal Contra o Crime Organizado onde é julgada a liderança da gangue Mara Salvatrucha.
Fachada do Tribunal Contra o Crime Organizado em El Salvador, onde ocorre o julgamento histórico.

Ministério Público solicita condenações que somam milhares de anos de prisão para líderes da Mara Salvatrucha, após julgamento massivo em El Salvador.

A Promotoria de El Salvador solicitou penas que, somadas, totalizam milhares de anos de prisão para os principais líderes da facção Mara Salvatrucha (MS-13), conforme divulgado nesta quarta-feira, 15/07/2026. A decisão marca o desfecho de um julgamento coletivo que busca responsabilizar a cúpula do grupo por um histórico de crimes que impactaram profundamente a estrutura social e a segurança pública do país durante uma década.

O processo judicial, que se encerrou formalmente após três meses de audiências, analisou 14.420 crimes cometidos entre 2012 e 2022. Entre os réus encontram-se 22 membros da chamada "ranfla histórica", a alta cúpula da organização, além de outros líderes de facções mantidos no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot). A peça acusatória baseia-se em 650 gravações de áudio e um dossiê de 22 mil páginas que detalham táticas de extorsão, homicídios e a criação de 230 células criminosas.

O promotor de Crime Organizado, Max Muñoz, declarou em 8 de junho que a extensão das penas solicitadas tem como objetivo assegurar que os líderes criminosos jamais retornem à sociedade. "Nem mesmo dez vidas seriam suficientes para cumprir as penas que eles vão enfrentar", afirmou o representante da Promotoria, sublinhando que as sentenças visam dar uma resposta definitiva às famílias das vítimas atingidas pela violência sistêmica imposta pelo grupo.

A estrutura criminal sob julgamento responde por crimes de extrema gravidade, incluindo feminicídio, desaparecimento de pessoas e o assassinato de 87 indivíduos em março de 2022. Este último episódio foi o catalisador para que o governo de Nayib Bukele iniciasse uma política de combate severo às gangues, resultando no atual regime de exceção. A Promotoria também solicitou que o Tribunal Contra o Crime Organizado condene os réus ao pagamento de US$ 9 milhões em indenizações por extorsão qualificada.

Enquanto o Poder Judiciário avalia o volumoso material probatório antes de proferir a sentença final, organizações de direitos humanos observam o caso com cautela. O debate sobre a independência judicial em El Salvador permanece latente, especialmente diante das denúncias de que o sistema de detenções em massa tem atingido pessoas sem vinculação comprovada com o crime organizado, o que eleva a importância de um julgamento rigorosamente fundamentado para a dignidade da justiça salvadorenha.

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