CRIME ORGANIZADO

Gaeco e Receita Federal deflagram operação contra PCC no setor de combustíveis em 5 estados

Grupo de policiais em operação em um posto de combustíveis.
Operação Fluxo Oculto investiga infiltração do PCC no mercado de combustíveis.

Ação mira fintechs e adulteração de combustível, com 55 mandados de busca e apreensão em SP, PR, MS, MG e RJ. Objetivo é desarticular esquema de fraudes e lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando do Crime.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Receita Federal deflagraram, nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, uma ampla operação em cinco estados brasileiros: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O objetivo central é desarticular a infiltração do Primeiro Comando do Crime (PCC) no setor de combustíveis, desmantelando um sofisticado esquema de fraudes, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

O foco principal das autoridades recai sobre seis fintechs, que operavam como bancos paralelos, e sobre a comprovada adulteração de combustíveis através do uso indevido de solvente, como a nafta. A investigação visa desarticular uma complexa rede financeira e operacional que movimenta recursos ilícitos.

A operação, nomeada Fluxo Oculto, representa uma nova etapa da investigação anterior, Carbono Oculto. Esta última já havia exposto o avanço do crime organizado no mercado de combustíveis, bem como em instituições de pagamento e de investimentos, demonstrando a amplitude de suas ações ilícitas.

Investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo detalharam a formação de um núcleo pelas seis fintechs investigadas. Este núcleo funcionava por meio de compensações financeiras internas, conectando distribuidoras de combustíveis, postos e fundos de investimento supostamente administrados pelo PCC. Essa estrutura permitia o fluxo oculto de valores e a ocultação da origem ilícita dos recursos.

Paralelamente, a facção criminosa também direcionava o desvio de nafta petroquímica para terminais e postos de combustíveis. A destinação desses insumos se dava através de empresas fantasmas, fortalecendo uma estrutura voltada para a venda de solventes adulterados, impactando diretamente a qualidade do combustível e a concorrência leal no mercado.

Estão sendo cumpridos 55 mandados de busca e apreensão em todo o país, com o apoio estratégico dos Gaecos e dos ministérios públicos do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Paraná. A ação integrada busca apreender provas, identificar todos os envolvidos e desmantelar definitivamente a estrutura criminosa.

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