COMBATE AO CRIME
Esquema bilionário movimentava R$ 100 milhões para facções criminosas
Operação Hawala desarticula rede financeira que lavava dinheiro para TCP, CV e PCC com uso de empresas de fachada e laranjas.
Uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro movimentou mais de R$ 100 milhões para abastecer facções como Terceiro Comando Puro (TCP), Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo apurações conduzidas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e pelo Ministério Público do Estado (MPRJ). A estrutura criminosa, alvo da Operação Hawala, utilizava uma rede de empresas para dissimular a origem ilícita de recursos provenientes do tráfico de drogas e outros crimes, conforme revelado nesta quarta-feira, 15/07/2026.
O impacto dessa movimentação extrapola a esfera financeira, fortalecendo a logística do crime organizado que assola diversos estados brasileiros. Ao conferir aparência de legalidade a valores vultosos, o grupo permitia que facções criminosas ampliassem seu poder de atuação, desafiando a segurança pública. O uso de mecanismos complexos, como transferências sucessivas e o emprego de laranjas, dificultava a detecção precoce pela fiscalização.
Entre 2021 e 2024, a rede operou com o auxílio técnico de contadores e operadores financeiros que omitiram transações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A análise do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) foi crucial para identificar a incompatibilidade entre as atividades econômicas declaradas e os vultosos montantes circulados. Apenas uma das operadoras financeiras investigadas teria movimentado R$ 47 milhões no período.
Na quarta-feira, 15/07/2026, forças-tarefa do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) deflagraram mandados de prisão e busca em Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. A Justiça determinou o bloqueio de bens e ativos dos envolvidos, medida que visa descapitalizar as facções atingidas. A investigação segue em curso, não sendo definitiva, e busca agora mapear eventuais conexões internacionais da organização.
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