INVESTIGAÇÃO CONTRA O PCC
Deolane Bezerra é presa em operação contra lavagem de dinheiro do PCC
Influenciadora e advogada teve R$ 27 milhões bloqueados. Marcola e familiares também são alvos.
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, em uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil. A ação investiga suspeitas de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital. A Justiça também decretou prisões contra Marco Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder da facção, além de parentes dele e operadores financeiros do grupo.
A Operação Vérnix apura o uso de uma transportadora de cargas, sediada em Presidente Venceslau (SP), como fachada para movimentar dinheiro da cúpula do PCC. Segundo a investigação, os valores seriam repassados a familiares de Marcola e a terceiros. As informações foram divulgadas pela jornalista Isabela Leite, do GloboNews.
Deolane Bezerra, que esteve em Roma, na Itália, nas semanas anteriores e teve seu nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol, retornou ao Brasil na quarta-feira, 20 de maio. Agentes cumprem mandados de busca e apreensão em endereços ligados à influenciadora, incluindo sua residência em Barueri (SP).
Além de Deolane Bezerra, foi preso Everton de Souza, conhecido como Player, apontado como operador financeiro da organização. Há mandados de prisão contra Alejandro Camacho, irmão de Marcola, e os sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho. Paloma estaria na Espanha e Leonardo, na Bolívia, segundo a apuração.
Marcola e Alejandro Camacho, que já estão detidos na Penitenciária Federal de Brasília, serão informados sobre a ordem de prisão preventiva.
A Justiça determinou também bloqueios patrimoniais e financeiros. Os principais alvos das medidas incluem 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões, R$ 357,5 milhões em bloqueios financeiros gerais e R$ 27 milhões especificamente em nome de Deolane Bezerra.
A investigação teve início em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos com dois detentos na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. O material continha ordens internas da facção, contatos com membros de alta hierarquia e menções a ações violentas contra servidores públicos.
Um trecho mencionava uma “mulher da transportadora” que teria levantado endereços de agentes públicos. A partir daí, os investigadores começaram a apurar a ligação de uma empresa de cargas com o PCC. Em 2021, a operação Lado a Lado identificou movimentações financeiras incompatíveis e crescimento patrimonial sem comprovação de origem. A apreensão do celular de Ciro César Lemos, suposto operador central do esquema, revelou repasses a uma influenciadora digital de projeção nacional.
Imagens de depósitos feitos para contas de Deolane Bezerra e Everton de Souza foram encontradas no aparelho de Ciro, que está foragido. A investigação aponta que a influenciadora mantinha vínculos pessoais e de negócios com um dos gestores fictícios da transportadora. Segundo a polícia, Deolane Bezerra recebeu R$ 1.067.505 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10.000 entre 2018 e 2021. Outros R$ 716 mil foram depositados em duas empresas dela.
A polícia afirma que não foram encontradas atividades profissionais como advogada que justificassem os repasses. Para a Justiça, os indícios apontam para movimentações suspeitas, risco de fuga, ocultação de patrimônio e possibilidade de interferência nas investigações.
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