DIGNIDADE RESTAURADA
Walfredo Gurgel: Elevador volta, mas crise da saúde persiste
Pacientes foram transportados pelas escadas por quase uma semana. Sesap estuda rampa para evitar novas paralisações em Natal.
O elevador do pronto-socorro Clóvis Sarinho, no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, voltou a funcionar na tarde de segunda-feira, 11 de maio de 2026, após quase uma semana de paralisação. A Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) confirmou o reparo do equipamento, que apresentava defeito desde a terça-feira, 5 de maio de 2026. Esta falha expôs a fragilidade da infraestrutura hospitalar, forçando o transporte manual de pacientes cirúrgicos pelas escadas e remanejamentos emergenciais para outras unidades, colocando em risco a dignidade e a segurança de indivíduos em tratamento.
A Sesap informou que o elevador reparado é o mesmo que apresentou o problema e impactou drasticamente o fluxo de atendimento da unidade. Contudo, o outro elevador do setor permanece inoperante, sem possibilidade de conserto, e aguarda processo de substituição. “O outro não tem conserto e está em processo de compra”, declarou a Sesap, destacando a lentidão na resolução definitiva do problema.
Durante o período de falha, cenas de angústia tomaram o hospital. Pacientes que necessitavam de cirurgias foram transportados pelas escadas, uma situação inaceitável denunciada publicamente pelo Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde-RN). A paralisação afetou o coração do atendimento de trauma no Clóvis Sarinho, onde funcionam o centro cirúrgico e os serviços de urgência.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais do sindicato, a diretora Lúcia “Negona” relatou o esforço sobre-humano dos maqueiros, que precisaram improvisar o deslocamento de pacientes, expondo-os a riscos desnecessários. O Sindsaúde-RN ressalta que o problema dos elevadores é recorrente e exige uma solução perene, criticando promessas de novos equipamentos que se arrastam por anos sem concretização.
A Sesap, em meio à crise, precisou reorganizar o fluxo de pacientes. Casos de trauma abdominal, ferimentos por arma de fogo e arma branca foram direcionados ao Hospital Santa Catarina. Pacientes com fraturas expostas de membros inferiores seguiram para o Hospital Deoclécio Marques, em Parnamirim. Aqueles com necessidade de cirurgias ortopédicas na parte superior do corpo, porém, continuaram sendo operados no Clóvis Sarinho, subindo e descendo pelas escadas em macas.
Sesap planeja construção de rampa
Em entrevista ao Jornal da Cidade, da Rádio Cidade, o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, revelou que a Sesap estuda a construção de uma rampa alternativa. A medida visa garantir a circulação de pacientes em futuras falhas nos elevadores, reconhecendo a vulnerabilidade atual do sistema.
“A gente pensa, e já está em estudo, para construir uma rampa alternativa que possa possibilitar que, em uma circunstância como essa, em uma eventual e futura quebra de novos elevadores, a gente possa ter uma alternativa de remanejo dos pacientes”, explicou o secretário.
Alexandre Motta detalhou que o complexo possui dois setores: o Hospital Walfredo Gurgel, com enfermarias, e o pronto-socorro Clóvis Sarinho, focado em centro cirúrgico e urgência traumática. Os elevadores do setor das enfermarias, embora antigos e demandando manutenção constante, funcionam. O problema maior reside nos da frente, onde um já está debilitado e outro aguarda licitação para compra de um novo equipamento.
Sobre o elevador que falhou recentemente, o secretário explicou que a peça para o reparo não está disponível no Brasil e exigiu adaptação, sofrendo um curto-circuito durante o processo e atrasando a entrega. Ele admitiu o severo impacto da situação, enfatizando que o hospital não foi projetado com rampas, confiando apenas nos elevadores.
A unidade opera acima da sua capacidade instalada, com 300 leitos frequentemente ocupados por 400 pacientes, declarou Alexandre Motta. Uma parcela dessa sobrecarga deve-se à presença de pacientes clínicos, que não se encaixam no perfil exclusivo de trauma do Walfredo Gurgel. Essa dinâmica gera um ambiente desgastante, impactando a transferência interna entre UTIs e enfermarias e resultando em um “abarrotamento” que prejudica os serviços essenciais à população.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário