CRIME SEM PERDÃO

Vítima de tortura perde audição no Maranhão

Vítima de tortura perde audição no Maranhão

Empregada doméstica Samara Regina Dutra, de 19 anos, revela grave sequela de 50% de perda auditiva após ser brutalmente agredida. A acusada, empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, está em prisão preventiva.

A empregada doméstica grávida Samara Regina Dutra, de 19 anos, vítima de brutal tortura no Maranhão, revelou nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, que perdeu 50% de sua audição em ambos os ouvidos. Esta grave sequela é resultado direto das agressões sofridas, um impacto devastador que a jovem compartilhou em sua conta no Instagram, expondo a urgência e a crueldade do caso que mantém a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos presa preventivamente, acusada de tortura e outros crimes. A situação de Samara, que espera o bebê Artur, destaca a profunda violação da dignidade humana e a busca incessante por justiça.

Comovida e assustada, Samara descreveu o início das dores e a dificuldade de audição. "Como consequência das coisas que aconteceram, eu estava ouvindo muito baixo, mas não achei que era algo tão sério. Mas comecei a sentir muita dor para dormir ou com barulho muito alto", explicou. Embora o diagnóstico inicial seja de 50% de perda auditiva bilateral, a jovem aguarda uma consulta de acompanhamento na semana que vem para um parecer conclusivo. A preocupação com seu estado de saúde é amplificada pela gravidez. "Fiquei um pouco assustada, me desesperei na hora, mas agora estou tentando lidar sem me desesperar, até porque tudo que eu sinto o Artur sente. Então, tenho que manter a calma, mas eu vou me consultar de novo semana que vem e, até lá, vou rezar para que esteja tudo bem e eu não precise usar aparelho", desabafou.

A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, de 36 anos, que contratou Samara, foi presa preventivamente — ou seja, por tempo indeterminado — na semana passada. Ela é investigada pelos crimes de tortura, lesão corporal, ameaça e constrangimento ilegal, acusações que pintam um quadro de extrema violência.

Em um desdobramento que adiciona complexidade ao caso, o governador do Maranhão, Carlos Brandão, informou na terça-feira, 12 de maio de 2026, que Samara foi contratada para atuar como recepcionista na administração estadual. A defesa da empresária, liderada pelo advogado Otoniel Chagas Bisneto, reagiu, afirmando: "A defesa não vai aceitar interferência do governador do Maranhão nesse processo. Quando política se mistura com direito penal vira um problema muito mais sério". O advogado reiterou que o inquérito corre em segredo de Justiça e que a defesa aguardará a conclusão das investigações para se manifestar sobre as alegações de perda auditiva e as agressões. Anteriormente, a advogada que representava Carolina havia admitido as agressões, declarando que a empresária "iria pagar pelo que deve".

As investigações detalham um cenário de selvageria: Carolina Sthela Ferreira dos Anjos agrediu a trabalhadora doméstica, então grávida de cinco meses, após acusá-la de furtar um anel em sua residência. A vítima relatou à polícia ter sofrido puxões de cabelo, socos e ter sido jogada no chão. As agressões, chocantemente, teriam persistido mesmo depois que o anel foi encontrado em um cesto de roupas sujas. A brutalidade do ataque foi ainda mais evidenciada por áudios no inquérito, onde Carolina narra a violência contra Samara, chegando a dizer que a jovem não deveria ter saído viva, e ameaçando-a de morte caso denunciasse.

Um homem, apontado como policial militar, teria auxiliado a empresária nas agressões. O policial militar Michael Bruno Lopes Santos, suspeito de envolvimento, também foi preso. Ele responde a um procedimento instaurado pela Corregedoria da PM para apuração de sua conduta e responsabilidade no caso.

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