PESQUISA NO JAPÃO
Vitamina C é associada à preservação do cérebro na terceira idade, aponta estudo
Idosos com níveis mais altos da vitamina apresentaram estrutura cerebral mais preservada. Especialistas alertam que a descoberta, publicada na PLOS One em 10 de junho, aponta apenas uma associação, sem comprovar causalidade.
Uma pesquisa inédita realizada por cientistas da Universidade de Hirosaki, no Japão, sugere um novo benefício para a vitamina C: a preservação da saúde cerebral em idosos. A descoberta, publicada na revista científica PLOS One em 10 de junho de 2026, revelou que participantes com concentrações mais elevadas da vitamina no sangue apresentaram uma estrutura cerebral mais íntegra em comparação com aqueles com níveis mais baixos. Embora os resultados sejam animadores, os próprios autores ressaltam que a pesquisa estabelece apenas uma associação e não comprova que o aumento do consumo da vitamina proteja diretamente o cérebro ou previna doenças neurológicas.
Como a pesquisa foi conduzida
O estudo abrangeu 2.044 adultos japoneses com 64 anos ou mais, participantes do Iki-Iki Health Promotion Project. A idade mediana dos voluntários era de 69 anos, sendo 61% mulheres. Para a análise, cada participante foi submetido a uma ressonância magnética cerebral e a um exame de sangue para quantificar a vitamina C no plasma. Em seguida, os cientistas dividiram os participantes em quatro grupos, do menor para o maior nível da vitamina, e compararam as imagens cerebrais de cada grupo.
A análise também considerou outros fatores que poderiam influenciar os resultados, como idade, gênero, nível de escolaridade, desempenho cognitivo, presença de diabetes, hipertensão, colesterol elevado, tabagismo, consumo de álcool e prática de exercícios físicos. Essa abordagem multicamadas buscou isolar o efeito potencial da vitamina C.
O que os cientistas descobriram
As comparações revelaram que indivíduos com as maiores concentrações de vitamina C no sangue possuíam um volume significativamente maior de massa cinzenta. Esta região é fundamental para funções cognitivas como memória, linguagem, raciocínio e tomada de decisões. Além disso, observou-se uma ligação entre níveis elevados da vitamina e uma melhor preservação da rede de modo padrão, um conjunto de áreas cerebrais ativas durante o repouso e crucial para a memória e o planejamento.
Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores para explicar essa associação é a potente ação antioxidante da vitamina C. Ao combater os radicais livres, a vitamina poderia mitigar danos às células nervosas decorrentes do envelhecimento natural. Adicionalmente, a substância é um cofator na produção de neurotransmissores, essenciais para a comunicação entre os neurônios.
É importante lembrar que o corpo humano não produz vitamina C, sendo sua obtenção dependente da dieta. Fontes ricas incluem frutas cítricas, acerola, goiaba, kiwi, morango, tomate, brócolis e pimentão.
Apesar da correlação encontrada, o estudo não estabelece uma relação de causa e efeito. Como os participantes foram avaliados em um único momento, não é possível determinar se o consumo de vitamina C influenciou diretamente as diferenças cerebrais observadas ou se outros fatores não medidos desempenharam um papel preponderante. Os autores concluem que são necessários estudos longitudinais, acompanhando os indivíduos ao longo de anos, para validar se a manutenção de níveis adequados de vitamina C contribui efetivamente para a preservação estrutural e funcional do cérebro durante o envelhecimento.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário