AGRO EM ALERTA

Vice-presidente da CNA alerta para inflação de alimentos com fim da escala 6x1

Retrato de Marcelo Bertoni, vice-presidente da CNA.
Marcelo Bertoni, vice-presidente da CNA, em entrevista.

Marcelo Bertoni, da CNA, argumenta que alteração trabalhista pode elevar custos de produção e repassar preços aos consumidores, criticando a velocidade da discussão na Câmara dos Deputados e defendendo flexibilização.

A proposta de extinção da escala de trabalho 6x1, em análise no Congresso Nacional, pode desencadear um aumento nos preços dos alimentos em todo o Brasil. A avaliação é de Marcelo Bertoni, vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que expressou suas preocupações em entrevista ao CNN 360°.

Bertoni fundamenta seu receio na já existente escassez de mão de obra no agronegócio. Segundo ele, uma nova legislação trabalhista com regras rígidas agravaria essa situação, elevando os custos operacionais e, inevitavelmente, impactando os valores praticados nos supermercados.

Impacto direto no setor agropecuário

O representante da CNA detalhou as particularidades do trabalho rural, que demandam flexibilidade. "O nosso setor tem muitas especificações diferentes de trabalho, principalmente na leiteria. Você trabalha a semana inteira, você tem períodos de plantio, de safra, que você fica quatro meses sem sábado, domingo, sem feriado", explicou.

Para Bertoni, a imposição de uma jornada fixa não se alinha à dinâmica produtiva do agronegócio. O alerta é claro: "Com certeza, nós teremos um aumento de custo de produção. Nenhuma empresa trabalha no vermelho. Esses custos serão repassados para a população. Quem vai pagar a conta é a população", declarou, projetando inflação no bolso do consumidor.

Flexibilização e negociação como alternativas

Em contrapartida ao fim da escala 6x1, o vice-presidente da CNA defende a aprovação da PEC 12, proposta pelo senador Rogério Marinho. Essa emenda prevê a flexibilização das condições de trabalho, permitindo a negociação direta entre empregados e empregadores.

Bertoni refuta o argumento de que empregadores teriam vantagem nessas negociações. "Eu preciso do trabalhador e o trabalhador precisa do empregador. As forças são iguais nesse sentido. Não há o porquê dizer que um tem mais força do que o outro, sendo que os dois dependem diretamente um do outro", argumentou. Ele citou o exemplo do setor de enfermagem, que opera em escalas como a 12x36, com profissionais chegando a acumular 72 horas semanais.

Críticas ao ritmo e profundidade do debate

O dirigente também manifestou insatisfação com a celeridade com que a matéria avançou na Câmara dos Deputados. Bertoni defende um debate mais aprofundado e inclusivo antes de qualquer deliberação no Senado.

"Essa discussão, essa análise, tem gente falando pelo nosso setor que não é do nosso setor", criticou, ressaltando que o período eleitoral não favorece uma análise criteriosa. As expectativas da CNA indicam a necessidade de discussões mais abrangentes do que as ocorridas na Câmara para que a proposta seja votada no Senado.

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