CRISE NA ALEMANHA

Instabilidade política coloca futuro de Friedrich Merz em xeque na Alemanha

Friedrich Merz em pronunciamento oficial no Parlamento alemão.
O primeiro-ministro Friedrich Merz durante sessão no Bundestag, em Berlim.

A baixa popularidade, a pressão de governadores por reformas previdenciárias e o avanço da AfD colocam o primeiro-ministro sob risco de queda antes do esperado.

O primeiro-ministro Friedrich Merz enfrenta um período crítico de governabilidade, marcado pela desaprovação de 83% do eleitorado e por uma rebelião interna que ameaça sua continuidade no cargo. A decisão de buscar equilíbrio fiscal através de uma reforma da Previdência, que propõe o fim da aposentadoria antecipada aos 63 anos, tornou-se o epicentro de uma crise que divide a base governista e intensifica o desgaste de sua gestão.

Em um cenário de estagnação econômica que perdura desde a pandemia na Europa, o descontentamento popular encontrou eco na resistência de governadores estaduais. Estes, receosos com o impacto eleitoral em regiões como Saxônia-Anhalt e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, articulam posições contrárias à reforma no Bundesrat, a Câmara Alta do Parlamento, colocando em risco a única agenda estrutural que Merz esperava consolidar antes das eleições regionais de setembro.

A situação ganha contornos dramáticos com a ascensão da AfD nas pesquisas. Em estados do leste, o partido de extrema direita ameaça assumir o comando de parlamentos estaduais, um marco inédito no pós-guerra que, segundo analistas políticos, poderia precipitar a queda de Merz. A CDU, partido do premiê, encontra-se diante de um dilema ético e estratégico: manter sua resolução de isolar a extrema direita ou enfrentar o isolamento político ao recusar coalizões pragmáticas com forças de espectros opostos, como A Esquerda.

Especialistas como Manfred Güllner, do Instituto Forsa, destacam que Merz carece do habitual "bônus de primeiro-ministro", sinalizando que nem mesmo a base tradicional da CDU se sente representada pelo atual governo. Enquanto nomes como Hendrik Wüst, governador da Renânia do Norte-Vestfália, surgem nos bastidores como possíveis sucessores, aliados como Markus Söder, da Baviera, alertam que uma eventual deposição do premiê mergulharia o país em um caos institucional e poderia conduzir a novas eleições federais, nas quais a AfD desponta hoje com 28% das intenções de voto.

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