ALERTA VETERINÁRIO

Veterinário Robson Góis alerta: castração é a principal prevenção contra piometra em cadelas

Médico veterinário Robson Góis em entrevista concedida ao programa Panorama 95.
Médico veterinário Robson Góis em entrevista. (Foto: Divulgação)

Especialista Robson Góis explica os riscos da piometra, infecção uterina grave em cadelas e gatas, e destaca a castração como a medida mais eficaz para evitar a doença.

A piometra, uma infecção bacteriana grave que atinge o útero de cadelas e gatas, representa uma emergência veterinária com potencial de levar o animal à morte rapidamente, caso não seja diagnosticada e tratada a tempo. O médico veterinário Robson Góis, em entrevista ao programa Panorama 95, da 95 FM de Caicó, reforçou o alerta sobre a doença, destacando que a sua rápida evolução pode desencadear septicemia e comprometer a vida do animal.

Conforme explicou o especialista, o termo "piometra" deriva de "pio" (pus) e "metra" (útero), indicando uma infecção bacteriana interna. "Essa infecção bacteriana pode se espalhar para todo o corpo, causando uma septicemia e levando o animal, muitas vezes, a óbito", detalhou Robson Góis. A doença exige atenção imediata devido ao risco de disseminação para outros órgãos vitais.

Os sinais clínicos mais comuns da piometra incluem aumento na ingestão de água, maior frequência urinária, perda de peso, febre e crescimento visível do abdômen. Em algumas situações, pode ocorrer a liberação de secreção vaginal, especialmente na forma aberta da infecção. Robson Góis detalhou que o abdômen aumentado é um indicativo notório da doença, principalmente na forma fechada, onde o pus se acumula internamente.

O médico veterinário esclareceu que a piometra se manifesta de duas formas: aberta e fechada. Na piometra aberta, o pus acumula-se no útero, mas é expelido pela vagina. Já na forma fechada, o acúmulo interno impede a eliminação do pus, o que, segundo Góis, a torna mais perigosa, pois o organismo pode reabsorver as bactérias. As secreções na forma aberta podem variar de amareladas a achocolatadas ou sanguinolentas.

O acúmulo de pus representa um risco sério, podendo levar à ruptura uterina. Quando isso ocorre, o líquido infectado espalha-se pela cavidade abdominal, provocando peritonite severa e, infelizmente, elevando consideravelmente a taxa de mortalidade. "Esse daí pode chegar até a ruptura do útero. E esse líquido, quando rompe, cai na cavidade abdominal, causando uma peritonite severa. E a maioria desses animais que causam ruptura uterina, infelizmente, vão a óbito", alertou o veterinário.

O diagnóstico da piometra é primariamente realizado por meio de ultrassonografia abdominal, um exame não invasivo com alta resolutividade. Exames complementares, como o hemograma, são essenciais para avaliar o quadro infeccioso do animal e confirmar a natureza da infecção. "A ultrassonografia só diz se existe presença ou não de líquido dentro do útero. Quem vai dar o suporte para saber se é infeccioso ou não vai ser os outros exames complementares, como o hemograma", explicou Góis.

O tratamento mais indicado, especialmente na piometra fechada, é a cirurgia para remoção do útero e dos ovários, conhecida como castração. Em casos específicos, como em fêmeas de alto valor genético ou destinadas à reprodução, pode-se considerar o tratamento clínico. Contudo, o procedimento cirúrgico é fundamental para eliminar a fonte da infecção e evitar o óbito do animal.

A demora no diagnóstico e tratamento pode resultar em danos permanentes a órgãos como fígado, pâncreas e rins, em decorrência da disseminação bacteriana pela corrente sanguínea. Quadros avançados podem até levar a alterações neurológicas, como encefalite e convulsões. Ainda assim, o prognóstico tende a ser favorável em casos de detecção precoce e quando o animal possui boas condições gerais de saúde.

O uso de anticoncepcionais em fêmeas pode aumentar o risco de desenvolvimento da piometra, pois os progestágenos podem causar desequilíbrios hormonais propícios à doença. A enfermidade é mais comum em animais adultos, geralmente após o cio, devido a fatores hormonais e à possibilidade de o sangue menstrual servir como meio de cultura para bactérias. Bactérias presentes em outras partes do corpo, como a boca, também podem migrar para o útero e contribuir para a infecção.

Robson Góis reitera que a castração é a medida preventiva mais eficaz, pois a remoção do útero elimina a possibilidade de formação de pus e, consequentemente, a piometra. Ele esclareceu que a "piometra de coto", uma condição rara após a cirurgia, hoje é minimizada pela segurança dos procedimentos modernos. Góis também desmistificou a ideia de que a doença só afeta cadelas adultas, relatando casos em animais jovens, inclusive após o primeiro cio.

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