ISENÇÃO FISCAL JÁ

Varejo pressiona Hugo Motta por isenção de impostos para produtos nacionais

Presidente da Câmara Hugo Motta em reunião
Presidente da Câmara, Hugo Motta, em reunião com representantes do setor varejista.

Representantes de grandes redes como Renner, Riachuelo e Assaí pedem equiparação tributária com produtos importados após fim da "taxa das blusinhas", temendo desequilíbrio no mercado.

Empresários do setor varejista se reuniram com o presidente da Câmara, Hugo Motta, nesta quarta-feira, 20 de maio de 2026, para pleitear a isenção de todos os impostos federais incidentes sobre produtos nacionais, como PIS/Cofins e ICMS. A demanda surge como uma busca por isonomia tributária após a recente revogação da "taxa das blusinhas" para compras internacionais de até US$ 50, visando equilibrar a competitividade do mercado interno.

O encontro, organizado pelo IDV (Instituto do Desenvolvimento do Varejo), contou com a participação de representantes de 10 grandes empresas, incluindo Lojas Renner, Riachuelo, Assaí Atacadista, RD Saúde e Lojas Quero-Quero. A preocupação central é com o impacto da medida que zerou a alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, publicada pelo governo na Medida Provisória (MP) 1.357 de 2026, que precisa de análise do Congresso em até 120 dias para se tornar lei.

A isenção concedida a produtos importados já representa uma renúncia fiscal estimada em R$ 9,72 bilhões para a União até 2028. Os varejistas argumentam que a falta de uma contrapartida para produtos nacionais criará um desequilíbrio competitivo, potencialmente aumentando a perda de arrecadação se a demanda por importados crescer de forma desproporcional. O cenário fiscal já é delicado, com o déficit nominal anualizado atingindo R$ 1,218 trilhão em março de 2026, o maior da série histórica iniciada em 2002, conforme dados divulgados pelo Banco Central.

Segundo o IDV, a "taxa das blusinhas" foi um fator relevante para a criação de 107 mil novos empregos no setor. Empresários expressaram a Motta que a medida, assim como o fim da escala 6x1, tem caráter eleitoral e defenderam que esses debates sejam adiados para após as eleições.

Hugo Motta demonstrou-se "sensibilizado" com os argumentos apresentados e comunicou que levará o pleito ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com quem os empresários também buscam agendar uma reunião. As negociações com o Planalto também estão em curso, embora o governo demonstre resistência às reivindicações do setor produtivo.

A discussão sobre a escala 6x1 também esteve na pauta. Os varejistas defendem uma transição de, no mínimo, 8 anos para o fim dessa escala de trabalho. Motta informou que está analisando estudos com diferentes prazos de implementação. O governo avalia ceder na regra de transição, mas sinaliza um período entre 2 e 5 anos, com uma nova reunião prevista para o fim de semana.

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