TARIFAS DOS EUA

USTR recomenda tarifa de 25% a produtos do Brasil, mas reconhece avanços no diálogo com EUA

Representantes dos Estados Unidos e do Brasil em reunião comercial.
Estados Unidos e Brasil.

Relatório preliminar do Representante de Comércio dos Estados Unidos aponta para aumento de custos e redução da competitividade para exportações brasileiras. Decisão final está prevista para 15 de julho.

Em uma decisão que pode impactar significativamente as exportações brasileiras, o relatório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) recomendou, em caráter preliminar, a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil. A medida, comunicada nesta terça-feira, 02/06/2026, surge após uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras, mas, ao mesmo tempo, o documento reconhece os avanços observados no diálogo entre os dois países e sinaliza o interesse em continuar as negociações até a definição final, agendada para 15 de julho. Essa abertura oferece uma oportunidade crucial para evitar ou reavaliar as tarifas propostas, segundo a Amcham Brasil.

"Trata-se de uma janela concreta para a busca de soluções que possam evitar ou revisar as medidas tarifárias propostas", declarou a Amcham em nota. Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, acrescentou: "O setor empresarial espera que os dois governos intensifiquem seus esforços nas próximas semanas e alcancem uma solução que enderece as questões em discussão, preservando as condições necessárias para a evolução do comércio e dos investimentos nos dois países."

A Amcham avalia que a aplicação da tarifa geraria um aumento de custos, diminuiria a competitividade das empresas brasileiras e criaria obstáculos ao comércio e aos investimentos bilaterais, afetando a economia nacional e a dignidade dos trabalhadores e empresários envolvidos.

A tarifa preliminar anunciada pelos Estados Unidos é o resultado de uma investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A apuração abrangeu práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas consideradas "injustas e preferenciais", medidas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões de desmatamento ilegal.

O USTR informou ter coletado depoimentos de 30 testemunhas e recebido mais de 295 comentários e réplicas durante o processo investigativo. Detalhes sobre as práticas consideradas irregulares foram apresentados em comunicado oficial.

A Amcham também alertou para a existência de outra investigação comercial dos EUA, sob a mesma Seção 301, que pode resultar em tarifas adicionais ao Brasil. Este caso está relacionado a importações de produtos fabricados com trabalho forçado, um tema de grave preocupação social e ética.

"Nesse contexto, torna-se ainda mais relevante buscar uma solução negociada na investigação 301 envolvendo o Brasil, de forma a evitar um tratamento tarifário mais oneroso para as exportações brasileiras no mercado norte-americano em relação a seus concorrentes de outros países", enfatizou a Amcham, reforçando a importância de evitar medidas que prejudiquem o desenvolvimento e a justiça comercial internacional.

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