SAÚDE E CIÊNCIA

Uso de GLP-1 antes da bariátrica não aumenta perda de peso, diz estudo

Canetas aplicadoras de medicamentos contra obesidade sobre uma mesa.
O uso de agonistas de GLP-1 antes da bariátrica foi tema de pesquisa internacional. Foto: Adobe Stock

Pesquisa publicada na JAMA Surgery aponta que medicações como semaglutida não garantem resultados superiores após 12 meses de cirurgia.

O uso de medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, como semaglutida e liraglutida, antes de uma cirurgia bariátrica não altera a perda de peso obtida com o procedimento. A conclusão foi apresentada nesta quarta-feira (12) em um estudo publicado na revista científica JAMA Surgery, que buscou entender se a exposição prévia a essas drogas traria vantagens aos pacientes.

Após um acompanhamento de 12 meses, os pesquisadores observaram que pacientes que utilizaram os medicamentos antes da operação perderam, em média, 24% do peso corporal, enquanto aqueles que não fizeram uso apresentaram uma perda de 25%. A diferença, segundo a análise estatística, não possui relevância clínica, sendo considerada estatisticamente insignificante.

O trabalho foi conduzido por pesquisadores vinculados à Universidade da Califórnia em San Francisco (UCSF) e ao Cleveland Clinic Martin North Hospital, na Flórida. O levantamento avaliou 383 pacientes submetidos à primeira cirurgia bariátrica entre 2022 e 2024, verificando que 92 deles (24%) utilizavam agonistas de GLP-1 pouco antes da intervenção cirúrgica.

A investigação também analisou se o uso dessas substâncias poderia estar associado a maiores riscos ou complicações pós-operatórias. Os resultados indicaram que não houve discrepâncias significativas entre os grupos quanto ao tempo de internação, necessidade de atendimento de urgência ou controle da hemoglobina A1c em pacientes com diabetes tipo 2.

Embora o estudo ofereça clareza sobre o cenário atual, os autores apontam limitações, como a impossibilidade de quantificar exatamente a perda de peso individual ocorrida apenas com o uso dos medicamentos antes da cirurgia. Apesar disso, os achados reforçam a percepção de que a intervenção cirúrgica mantém sua eficácia independente do histórico medicamentoso prévio com GLP-1.

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