AVANÇO NA MEDICINA

Treinamento em cadáveres frescos aprimora a cirurgia robótica no Brasil

Equipe médica realizando procedimento de cirurgia robótica em ambiente de treinamento especializado.
Treinamento prático em cirurgia robótica utilizando tecnologia de preservação por congelamento no IART.

Técnica de preservação por congelamento eleva a precisão em procedimentos robóticos e melhora a segurança para pacientes brasileiros.

O treinamento de cirurgiões brasileiros alcança um novo patamar de fidelidade anatômica com o uso de corpos preservados por congelamento, método conhecido como "cadáver fresco". A iniciativa, que visa reduzir riscos e aprimorar a precisão em cirurgias robóticas, foi consolidada com a inauguração do Instituto de Anatomia Robótica e Treinamento (IART), ocorrida em março de 2026.

Diferente da conservação por formaldeído, que altera a textura e a rigidez dos tecidos, o congelamento mantém as características próximas às de pacientes vivos. Essa realidade tátil permite que médicos, residentes e equipes multiprofissionais compreendam melhor as variações anatômicas antes de entrarem em centros cirúrgicos reais.

A demanda pelo método cresce à medida que o país registra um salto tecnológico no setor. Segundo dados da Associação Médica Brasileira (AMB), o número de procedimentos robóticos cresceu 417% entre 2018 e 2022, na comparação com a década anterior, evidenciando a necessidade de uma capacitação mais robusta.

Para Francisco Castillo, diretor de Ensino e Pesquisa do Instituto de Anatomia Robótica e Treinamento (IART), a técnica favorece a percepção tridimensional das estruturas humanas. "A experiência permite relacionar o conhecimento teórico em anatomia às exigências técnicas que serão encontradas durante a prática clínica", afirma o especialista.

O impacto prático da metodologia já atrai talentos internacionais. O urologista peruano Gustavo Cabanillas, que passou pelo treinamento no IART, destacou como o ambiente de simulação realista possibilita o desenvolvimento de habilidades de dissecção de alta complexidade. A formação é aberta a enfermeiros, técnicos e instrumentadores, garantindo que todo o ecossistema cirúrgico esteja preparado para a tecnologia robótica.

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