SAÚDE PÚBLICA EM RISCO
Unicat: acesso a medicamentos de alto custo para 80 mil pacientes do SUS no RN segue incerto
Ministério Público exige melhorias na unidade de distribuição em 90 dias, mas Secretaria de Saúde do Estado não define prazo para cumprir determinação judicial. Quase 80 mil pacientes dependem da unidade.
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) determinou a regularização do serviço da Unicat, unidade de distribuição de medicamentos de alto custo no bairro do Alecrim, em 90 dias. A exigência, fruto de uma ação civil pública, vem após a identificação de graves problemas estruturais e operacionais que comprometem o acesso de pacientes a tratamentos essenciais.
Em resposta à determinação, a Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN (Sesap) reconheceu, nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, a urgência de melhorias. Contudo, a pasta não apresentou um prazo claro para cumprir integralmente as exigências do MPRN, deixando em aberto o futuro do atendimento para cerca de 80 mil pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado que dependem da Unicat.
A secretária adjunta da Sesap, Leidiane Queiroz, afirmou que a pasta trabalha na reorganização do atendimento, com foco especial na dispensação de medicamentos de alto custo. A gestora apontou que o aumento significativo da demanda, com um crescimento de aproximadamente 30% em 2025 e quase 80 mil pacientes cadastrados, tem sobrecarregado o funcionamento da unidade.
Investimentos e Melhorias Anunciadas
A Sesap informou que investiu R$ 4 milhões em medicamentos com recursos próprios em 2025. Para 2026, o mesmo valor já foi utilizado apenas no primeiro quadrimestre, com expectativa de novas aquisições ao longo do ano. Além disso, a secretaria planeja melhorias na Unicat "ao longo do ano", incluindo a reorganização do fluxo de atendimento e a ampliação do acesso.
Ação do Ministério Público
A ação civil pública movida pelo MPRN resultou da constatação de sérias deficiências na unidade. Durante inspeção, o Ministério Público identificou a falta crônica de medicamentos, um déficit preocupante de profissionais, aglomeração de pacientes e um atendimento precário de modo geral.
Entre as medidas exigidas pelo MPRN estão a apresentação de um plano detalhado de reforma e ampliação da unidade, a expansão da área de espera para os usuários, a regularização junto ao conselho profissional competente e o reforço imediato no quadro de servidores para garantir um atendimento digno e eficiente.
A promotora Iara Pinheiro reiterou a necessidade imperativa dessas regularizações para assegurar que os pacientes tenham acesso contínuo e adequado aos medicamentos de alto custo, um direito fundamental garantido pelo SUS.
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