ALERTA SANITÁRIO GLOBAL

União Europeia veta Brasil por ameaça à saúde pública

Representação 3D de DNA e células bacterianas, simbolizando a resistência de microrganismos a antibióticos.
Bactérias e DNA em ilustração 3D, representando o combate à resistência antimicrobiana.

Medida de 12 de maio de 2026 suspende exportações de carne a partir de 3 de setembro, focando na crise da resistência antimicrobiana.

A UE (União Europeia) decidiu retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e animais ao bloco, uma medida publicada nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, que pode barrar as vendas brasileiras ao mercado europeu a partir de 3 de setembro. A decisão é motivada pela preocupação crescente com a resistência antimicrobiana, já que o bloco considera insuficientes as garantias sanitárias relacionadas ao uso de medicamentos na pecuária. Este veto ressalta a urgência de um problema de saúde global que, segundo projeções da própria UE e da OMS, pode causar milhões de mortes e sobrecarregar sistemas de saúde em todo o mundo, afetando a dignidade e a sobrevivência de indivíduos.

O governo brasileiro e produtores afirmam que o veto ainda pode ser revertido. O país tem até setembro para adequar os protocolos sanitários às novas regras europeias e negocia com a UE para comprovar conformidade com as exigências sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. A janela de negociação oferece uma oportunidade para o Brasil reafirmar seu compromisso com a saúde pública global e a segurança alimentar.

O QUE É RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA E POR QUE ELA PREOCUPA O MUNDO

Em nota, a UE explicou que nenhuma carne consumida no bloco pode ter sido produzida com uso de antimicrobianos para “fins de crescimento ou rendimento”, e não para tratamento veterinário específico. O grande receio é que a utilização excessiva desses medicamentos na criação de animais acelere o surgimento de agentes patógenos cada vez mais resistentes, tornando ineficazes tratamentos essenciais para humanos e animais.

A chamada “resistência antimicrobiana” (RAM) acontece quando bactérias, vírus, fungos e parasitas desenvolvem a capacidade de sobreviver aos medicamentos criados para eliminá-los. Esse fenômeno transforma doenças antes tratáveis em ameaças mortais, revertendo décadas de avanços na medicina.

Em julho de 2022, a Comissão Europeia e os Estados-membros classificaram a resistência antimicrobiana como uma das três principais ameaças prioritárias à saúde. Na ocasião, defenderam ações coordenadas no âmbito da UE para reforçar a capacidade de prevenção e resposta do bloco, reconhecendo a dimensão transfronteiriça do desafio.

Segundo o órgão europeu, o fenômeno é responsável por cerca de 35 mil mortes por ano no continente. Projeções citadas pela UE indicam que, sem medidas mais rigorosas de contenção, a resistência antimicrobiana pode provocar até 39 milhões de mortes no mundo entre 2025 e 2050. Esse impacto devastador na saúde humana é comparável ao da gripe, tuberculose e HIV/Aids somados, conforme alerta a UE em sua página dedicada ao tema.

A resistência antimicrobiana também preocupa seriamente a OMS (Organização Mundial da Saúde), que classificou o tema como uma das 10 principais ameaças globais à saúde pública em 2023. A entidade monitora a evolução desse perigo silencioso que compromete a eficácia dos tratamentos médicos modernos.

Dados da OMS indicam que a resistência bacteriana esteve diretamente associada a 1,27 milhão de mortes no mundo em 2019. Em outros 4,95 milhões de casos, o fenômeno foi considerado um fator indireto relacionado aos óbitos. Esses números revelam uma crise de saúde pública de proporções globais.

Segundo a organização, o impacto é maior em países de baixa e média renda, onde os sistemas de saúde são mais frágeis, mas afeta hospitais e comunidades em todo o mundo. A OMS alerta que o fenômeno também eleva custos hospitalares, prolonga internações e reduz drasticamente a eficácia de procedimentos médicos vitais, como cirurgias de rotina, transplantes de órgãos e até tratamentos contra o câncer.

A entidade defende ações coordenadas e urgentes entre governos, setor de saúde e agropecuária para reduzir o uso inadequado de antimicrobianos. Entre as medidas recomendadas estão maior controle sobre prescrições, restrições ao uso na produção animal e ampliação de sistemas de monitoramento da resistência bacteriana, visando proteger a saúde global para as futuras gerações.

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