MINERAIS DE ALTO VALOR
União Europeia busca minerais críticos do Brasil para diminuir dependência da China
Bloco europeu firma acordo com o Brasil para garantir suprimento de matérias-primas essenciais à transição energética e tecnologias avançadas, com visitas oficiais e foco em projetos estratégicos. A iniciativa europeia visa diversificar fornecedores e impulsionar a cadeia produtiva local, alinhada a metas de processamento interno e redução da dependência de um único país.
A União Europeia (UE) intensificou sua estratégia para assegurar o suprimento de minerais críticos, insumos vitais para a transição energética e o avanço tecnológico. Nesta quarta-feira, 17/06/2026, o bloco europeu formalizou um plano de aproximação com o Brasil e empresas do setor mineral, visando reduzir a dependência da China e fortalecer suas cadeias produtivas. A decisão é relevante pois o Brasil possui reservas significativas dessas matérias-primas, essenciais para veículos elétricos, energias renováveis e sistemas de defesa.
A crescente disputa global por minerais como terras-raras, lítio, níquel e cobalto levou governos ocidentais a buscarem fornecedores alternativos. Atualmente, a China detém uma posição dominante, controlando entre 70% e 90% do processamento global desses minerais.
O Brasil apresenta um papel central nesta estratégia europeia, abrigando a segunda maior reserva mundial de terras-raras e projetos considerados cruciais para os planos industriais da UE.
Para avançar, o comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, realizou uma visita ao Brasil nesta semana. Acompanhado por representantes do Banco Europeu de Investimentos, ele inspecionou o Projeto Colossus, da Viridis Mining, em Poços de Caldas (MG). Este empreendimento, com previsão de investimento de US$ 356 milhões, é promissor para a extração de terras-raras e espera iniciar operações no primeiro semestre de 2028.
As reservas do Projeto Colossus concentram elementos cruciais para a fabricação de ímãs permanentes, componentes essenciais em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de alta tecnologia.
Além do acesso à matéria-prima, a UE busca estabelecer parcerias de longo prazo com nações consideradas confiáveis, em conformidade com o Ato Europeu de Minerais Críticos. Este ato, aprovado em 2023, estabelece que até 2030, 40% do consumo anual de minerais críticos da UE deve ser processado dentro de seu território, e nenhum fornecedor externo poderá suprir mais de 65% da demanda de cada matéria-prima.
“É absolutamente essencial trabalharmos com parcerias, adicionando valor aos parceiros. Podemos oferecer infraestrutura e tecnologia. Temos muito interesse no Brasil”, declarou Joan Canton, chefe da Unidade de Descarbonização, Mobilidade e Materiais Críticos da Comissão Europeia.
O Brasil vê a aproximação com interesse, mas com a condição de que as etapas industriais de processamento ocorram dentro do País, buscando agregar valor à produção e evitar a repetição do modelo de exportação de commodities.
A Refinaria São Miguel Paulista, em São Paulo, é um dos projetos estratégicos em foco. Controlada pela Jervois, a unidade, que deve retornar à operação em 2027 após um investimento de R$ 500 milhões, será a única na América Latina capaz de produzir níquel classe 1 e cobalto refinado, insumos para baterias de veículos elétricos. Sua capacidade anual será de 12 mil toneladas de níquel refinado e 2 mil toneladas de cobalto.
Outro projeto de interesse europeu é o da British Brazilian Nickel, no Piauí, com produção anual prevista de 28 mil toneladas de níquel e mil toneladas de cobalto, com início em 2029. A AMG, com operações em Minas Gerais, também está na mira da UE por sua produção de lítio e tântalo.
A intensa disputa global por minerais críticos, impulsionada pela eletrificação automotiva, energias renováveis e avanços tecnológicos, reconfigura a geoeconomia mundial. O Brasil se destaca por sua abundância de recursos, estabilidade política e distância de focos de tensão.
A cooperação com a UE poderá viabilizar financiamentos por meio do programa Global Gateway. Contudo, o sucesso dependerá da clareza regulatória no Brasil e da definição de regras específicas para minerais críticos, financiamento e incentivos à industrialização.
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