PREVENÇÃO DE QUEDAS
UFRN desenvolve tecnologia capaz de prever risco de quedas antes que elas aconteçam
Sistema patenteado monitora oscilações corporais em tempo real, emitindo alertas preventivos para proteger idosos e pacientes vulneráveis. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) lideram o desenvolvimento.
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveu um sistema patenteado que promete antecipar quedas antes que elas ocorram. A tecnologia, chamada 'Sistema e método para detecção automática de risco de queda', monitora em tempo real as oscilações corporais e emite alertas preventivos ao identificar sinais de instabilidade, visando aumentar a segurança de idosos e de pessoas em condição de vulnerabilidade.
Diferente de soluções existentes que apenas registram a queda após o impacto, este dispositivo atua na prevenção. Utilizando sensores de alta precisão, o sistema analisa parâmetros corporais e padrões de instabilidade postural para detectar riscos iminentes. Essa abordagem proativa representa uma mudança significativa, focando na prevenção em vez de apenas na detecção do evento já consumado.

O equipamento foi concebido como um dispositivo vestível, posicionado no esterno, próximo ao centro de massa do corpo. Essa localização estratégica, segundo a equipe de pesquisadores, minimiza interferências e ruídos de leitura comuns em sensores localizados em punhos ou outras extremidades. O sistema também permite adaptações às necessidades individuais de cada usuário.
'O sistema foi pensado para capturar o movimento com a maior fidelidade possível. A precisão dos dados é essencial para antecipar padrões de instabilidade', explica o pesquisador Mikael Marcos Rodrigues Costa da Silva, um dos idealizadores da invenção. A equipe também conta com Bárbara Trindade Espois, Paulo Moreira Silva Dantas e José Carlos Gomes da Silva.
O pedido de patente, depositado em fevereiro, é fruto de uma colaboração entre os programas de pós-graduação em Educação Física e Engenharia Biomédica da UFRN. Cada pesquisador contribuiu com expertise específica: Mikael focou na arquitetura de hardware e programação de baixo nível; Bárbara na redação técnica e design de interface; enquanto José Carlos e Paulo Dantas lideraram a gestão estratégica e articulação institucional. Essa interdisciplinaridade foi crucial para o sucesso do projeto.
Outro diferencial destacado é o design ergonômico e o conceito plug-and-play, que garantem uma utilização simples e intuitiva, mesmo para pessoas com mobilidade reduzida. A estrutura do protótipo foi fabricada com impressão 3D, conferindo leveza, adaptabilidade e redução nos custos de produção.
A iniciativa busca democratizar o acesso a tecnologias assistivas, considerando os altos índices de hospitalização de idosos devido a quedas. A combinação de hardware acessível e software proprietário visa facilitar a implementação do sistema em serviços públicos de saúde. 'Nosso objetivo é tornar essa tecnologia acessível, sem restringi-la a ambientes hospitalares de alto custo. Pensamos que ela pode chegar à atenção básica e às instituições de acolhimento', afirma José Carlos Gomes da Silva.

Além do monitoramento clínico, o dispositivo poderá auxiliar na autonomia de idosos e de pessoas com doenças neurodegenerativas, como Alzheimer. Há também a possibilidade de integração com sistemas de geolocalização, auxiliando na localização de indivíduos com desorientação espacial e fornecendo suporte a familiares e cuidadores.
A tecnologia já validou sua prova de conceito, indicando um estágio avançado de maturidade. O programa de computador associado ao sistema também foi registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), protegendo sua lógica algorítmica.
De acordo com Paulo Moreira Silva Dantas, coordenador do grupo, o sistema analisa em tempo real variáveis como aceleração, orientação corporal e tremores. Ele supera as limitações de métodos que dependem exclusivamente da análise de aceleração pós-queda, garantindo respostas mais rápidas e precisas.
O depósito da patente marca a conversão do conhecimento científico em ativo tecnológico. A equipe planeja agora incorporar algoritmos de aprendizado de máquina para aumentar a sensibilidade da detecção pré-impacto e otimizar o consumo energético, tornando o equipamento mais eficiente para uso contínuo. Ao unir monitoramento em tempo real, baixo custo e versatilidade, o sistema surge como uma solução promissora contra um dos maiores desafios do envelhecimento populacional: a prevenção de quedas e a preservação da autonomia.
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