FINANCIAMENTO POPULAR

TSE libera vaquinhas, e pré-candidatos arrecadam mais de R$ 500 mil

TSE libera vaquinhas, e pré-candidatos arrecadam mais de R$ 500 mil

Renan Santos e Marcel Van Hattem lideram levantamento da plataforma "Quero Apoiar" para o pleito de 2026. Dados de 15 a 17 de maio.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) liberou, na sexta-feira, 15 de maio de 2026, o início das arrecadações por meio de vaquinhas virtuais para pré-candidatos nas eleições. Em apenas um fim de semana, até a noite de domingo, 17 de maio de 2026, o financiamento coletivo ultrapassou a marca de meio milhão de reais em doações, um indicativo claro do engajamento popular e do potencial impacto dessa modalidade na corrida eleitoral para 2026.

Essa iniciativa reflete a reforma eleitoral de 2017, que inseriu o financiamento coletivo como uma ferramenta democrática, permitindo que cidadãos comuns contribuam diretamente para as campanhas de seus escolhidos. A facilidade e transparência das doações online promovem maior participação e podem redefinir a dinâmica de arrecadação, antes dominada por grandes financiadores. A análise de dados, divulgada por uma das empresas autorizadas pelo TSE a operar esse tipo de modalidade, revela os primeiros resultados expressivos.

Das quatro instituições com permissão para prestar o serviço, a "Quero Apoiar" é a única que, até o momento, disponibiliza as informações em seu site, tornando-se uma janela para entender a nova dinâmica eleitoral. De acordo com os dados dessa plataforma, o maior volume arrecadado no período é do pré-candidato à Presidência Renan Santos (Missão).

Até as 19h de domingo, o presidenciável acumulava R$ 166.629 em doações, provenientes de 2.406 apoiadores. Na pesquisa eleitoral mais recente, da DataFolha, Renan Santos aparece em 5º lugar, com 2% das intenções de voto. Em segundo lugar, o deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS), que tentará uma vaga no Senado neste ano, arrecadou R$ 133.876 em doações de 1.158 pessoas.

Confira o ranking dos pré-candidatos com as maiores doações na plataforma analisada:

  • Renan Santos (Missão), presidência: R$ 166.629
  • Marcel Van Hattem (Novo), Senado: R$ 133.876
  • Gustavo Gayer (PL), Senado: R$ 55.974
  • Jones Manoel (PSol), Câmara: R$ 54.512
  • Rony Gabriel (Podemos), Câmara: R$ 41.483
  • Daniel Soranz (PSD), Câmara: R$ 39.954
  • Kim Kataguiri (Missão), governo de SP: R$ 34.853
  • Ana Hering (Missão), Câmara: R$ 16.610
  • Victor Antoun (Missão), Câmara: R$ 14.203
  • Delegado Felipe Curi (PP), Câmara: R$ 13.195

Entre os partidos, o Missão, fundado pelo MBL (Movimento Brasil Livre) e com registro aprovado pelo TSE em novembro de 2025, lidera em arrecadação, concentrando mais de R$ 200 mil em doações. Essa performance demonstra a capacidade de mobilização de novas forças políticas e o impacto direto do engajamento de seus membros e simpatizantes.

O financiamento coletivo, introduzido na legislação eleitoral pela reforma de 2017, representa uma alternativa crucial para o financiamento de campanhas. As doações para o pleito de 2026 começaram oficialmente na sexta-feira, 15 de maio de 2026, marcando o início de uma nova fase para as campanhas.

Este modelo permite que plataformas digitais e aplicativos atuem como intermediários de doações feitas pela internet para candidatos e partidos. No entanto, as arrecadações só são permitidas por empresas previamente cadastradas e aprovadas pelo TSE. Desde 2015, o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu o financiamento eleitoral por empresas no Brasil, estabelecendo que apenas pessoas físicas podem contribuir para campanhas, enquanto as plataformas cadastradas no TSE operam exclusivamente as "vaquinhas virtuais".

Para operar, as plataformas precisam cumprir uma série de exigências da Justiça Eleitoral, garantindo a transparência e a legalidade do processo. Isso inclui cadastro prévio no TSE, identificação obrigatória dos doadores com nome e CPF, emissão de recibos eleitorais e divulgação pública e atualizada das doações recebidas. As operadoras também devem informar imediatamente à Justiça Eleitoral e aos candidatos os dados de cada contribuição, além de especificar as taxas administrativas cobradas.

Até o momento, o tribunal habilitou quatro empresas para operar o financiamento coletivo nas eleições deste ano: AppCívico Consultoria Ltda., Elegis Gestão Estratégica, GMT Tecnologia e QueroApoiar.com.br Ltda. Contudo, apenas a QueroApoiar.com.br Ltda. concentrou volumes significativos de doações e tornou os dados acessíveis ao público, ressaltando sua relevância inicial.

Apesar de a arrecadação ter sido liberada na sexta-feira, os valores só podem ser repassados aos candidatos após o cumprimento de requisitos legais essenciais, como a abertura de conta bancária específica para campanha e a emissão dos recibos eleitorais. Este é um passo fundamental para assegurar a conformidade e a fiscalização das movimentações financeiras.

Este será o quinto ciclo eleitoral em que o financiamento coletivo poderá ser utilizado no Brasil, um testemunho de sua crescente consolidação. O modelo já foi adotado com sucesso nos pleitos de 2018, 2020, 2022 e 2024, demonstrando sua eficácia e aceitação. Nas eleições municipais de 2024, as vaquinhas virtuais movimentaram mais de R$ 7 milhões em campanhas, com 160 candidatos a prefeito declarando receitas por esse meio, incluindo 12 eleitos no primeiro turno. Isso sublinha o papel cada vez mais vital do financiamento coletivo na formação de lideranças e no fortalecimento da democracia.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário