TENSÃO GEOPOLÍTICA

Trump pode retirar tropas dos EUA da Europa

Donald Trump durante coletiva de imprensa na Casa Branca em 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante conversa com jornalistas na Casa Branca em 30 de abril de 2026 — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

Decisão surge após críticas à postura de Espanha, Itália e Alemanha na guerra contra o Irã; movimento ainda não é definitivo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, retirar tropas americanas da Espanha, Itália e Alemanha. A medida, uma possível reconfiguração da presença militar global, surge como resposta direta à postura desses países em relação à guerra contra o Irã, sinalizando um momento de tensão nas alianças e um impacto substancial na segurança europeia e nas relações diplomáticas mundiais.

A declaração de Trump ocorreu durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, após ser questionado sobre a intenção, anunciada na quarta-feira, 29 de abril de 2026, de reduzir o contingente militar na Alemanha. Ao ponderar sobre a extensão da decisão para outras nações europeias, o presidente foi categórico.

“Provavelmente vou fazer isso. A Itália não tem ajudado em nada e a Espanha tem sido horrível, absolutamente horrível”, afirmou, sublinhando a sua insatisfação com o apoio dos aliados. Essa postura pode gerar instabilidade e questionamentos sobre o futuro da cooperação em defesa, afetando a percepção de segurança de milhões de cidadãos europeus que historicamente contam com a proteção e a estabilidade proporcionadas pelas forças da Otan e dos Estados Unidos.

Na quarta-feira, 29 de abril de 2026, Trump já havia utilizado uma rede social para informar que os “Estados Unidos estão estudando e revisando uma possível redução do número de tropas na Alemanha”, indicando que uma deliberação final seria tomada em breve. Essa fala veio à tona após o chanceler alemão, Friedrich Merz, ter criticado publicamente a estratégia americana, afirmando que os EUA estavam sendo “humilhados” na guerra contra o Irã.

A Alemanha, que faz parte dos países da Otan, havia autorizado o uso de bases militares em seu território para operações contra o Irã, uma decisão que havia sido elogiada por Trump anteriormente. No início de março de 2026, durante a visita de Merz à Casa Branca, o presidente americano chegou a classificar o país como um parceiro útil.

Por outro lado, Espanha e Itália adotaram uma postura mais restritiva, distanciando-se da ofensiva americana. No fim de março de 2026, o governo espanhol chegou a fechar seu espaço aéreo para aeronaves americanas envolvidas nos conflitos, enquanto os italianos negaram o uso de uma base aérea na Sicília para operações de combate. Tais decisões, embora soberanas, são vistas por Trump como falta de apoio, o que agora pode resultar em sérias consequências para a presença militar americana em seus territórios.

No início de abril de 2026, o jornal The Wall Street Journal já havia noticiado que Trump avaliava punir nações da Otan que não apoiassem a guerra contra o Irã. Entre as possíveis retaliações, estaria a transferência de tropas para países que se mostraram favoráveis à ofensiva no Oriente Médio, como Polônia, Romênia, Lituânia e Grécia. O plano, ainda em análise e, portanto, não definitivo, também contempla a possibilidade de fechar uma base militar dos EUA na Europa, com a Espanha ou a Alemanha sendo apontadas como prováveis locais para essa medida drástica, conforme revelado pelo jornal.

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