CÚPULA CRUCIAL
Trump e Xi se reúnem para aliviar tensões globais
A cúpula de 14 e 15 de maio de 2026 busca estabilizar relações comerciais e discutir temas como Taiwan e Irã.
A China confirmou o encontro de Estado entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, em Pequim. A notícia, divulgada nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, abre caminho para uma cúpula crucial nas próximas quinta e sexta-feira, 14 e 15 de maio. Este passo diplomático visa consolidar a frágil trégua comercial e, sobretudo, projetar uma imagem de estabilidade, afastando o risco de uma nova e perigosa escalada entre as duas maiores potências econômicas do mundo. A busca por um equilíbrio em meio às tensões geopolíticas reflete a urgência de preservar o comércio global e a paz, cujos desdobramentos afetam diretamente a vida e o bem-estar de milhões. A visita de Estado não carrega a expectativa de grandes anúncios centrais, mas sim de acordos pontuais e demonstrações de força diplomática. De um lado, o presidente americano viaja acompanhado de CEOs na tentativa de selar negócios e reduzir o déficit comercial. Ele também leva seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, para persuadir Pequim a pressionar o Irã pela reabertura do estratégico estreito de Hormuz — embora tenha declarado publicamente não necessitar da ajuda chinesa para resolver o conflito. Do outro lado, o líder chinês deve pautar a questão de Taiwan, os controles de exportação de Washington a semicondutores avançados e a disposição em firmar acordos com alguns empresários. O encontro não deve produzir mudanças estruturais na relação bilateral, segundo Chong Ja Ian, professor de ciência política da Universidade Nacional de Singapura. O especialista, estudioso das relações entre os dois países, afirma que ambos os lados almejam vitórias simbólicas para apresentar aos seus públicos domésticos, com o foco principal recaindo sobre questões comerciais e econômicas. "Não há nada que realmente incentive um grande avanço por parte de nenhum dos lados, nem que promova um compromisso com algum entendimento ou concessão significativa. Está claro que nenhum dos dois deseja uma escalada fora de controle", analisa. Declarações de autoridades chinesas e americanas ainda indicam que o objetivo comum é pavimentar o terreno para prolongar a trégua tarifária, alcançada no último encontro, em outubro de 2025, com validade de 12 meses. Em um dos contatos diplomáticos mais relevantes na preparação da reunião, o chanceler Wang Yi afirmou, por telefone, ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, que os dois lados devem "manter a estabilidade conquistada com muito esforço". O chefe da diplomacia chinesa referia-se aos resultados obtidos após o encontro em Busan, na Coreia do Sul, quando Trump e Xi definiram a redução das tarifas impostas pelos EUA a produtos chineses, e Pequim recuou do agressivo controle de exportação sobre terras raras — uma medida que desestabilizou a indústria mundial em diversos setores. Na mesma ligação, Wang sublinhou que o maior risco para as relações sino-americanas é Taiwan. Dias depois, Rubio confirmou que o tema deve ser um dos tópicos da conversa entre os líderes. Os objetivos de Xi na reunião, segundo Richard McGregor, pesquisador do leste asiático no Instituto Lowy, são mais complexos do que os buscados pelo presidente americano. "Trump parece enxergar esse encontro inteiramente por uma ótica econômica ou comercial. Ele quer sair dali com acordos sobre exportações americanas, como aeronaves e soja", comenta. "A China buscaria qualquer tipo de concessão política que consiga arrancar de Trump sobre Taiwan, real ou simbólica. Acho também que gostam da imagem de o presidente americano ir até eles, não o contrário", acrescenta McGregor. O americano, como já sinalizado por seus secretários, também colocará a guerra no Irã em pauta, na expectativa de que a China use sua influência sobre Teerã e a própria necessidade de abastecimento energético para pressionar o regime a reabrir o estreito de Hormuz — rota marítima praticamente fechada desde o início do conflito, há quase três meses. Pequim, contudo, tem se mostrado pouco disposta a investir capital diplomático real para remediar o que considera um erro americano. Embora tenha pedido ao Irã a reabertura do estreito, já que o fechamento também ameaça sua segurança energética, o regime tem atuado como mediador distante, com pronunciamentos frios e uma suposta imparcialidade. Wang Yi, em encontro com seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o fim do conflito é "imperativo", ao mesmo tempo em que declarou "apoio ao Irã na salvaguarda de sua soberania e segurança nacionais". A guerra, responsável pelo adiamento da agenda anteriormente prevista para março, seguirá como pano de fundo em um momento em que Trump chega à China com seu país enfraquecido pelo conflito, avalia McGregor. A relação entre os dois países, antes ditada por Washington, vive agora seu momento mais horizontal. "Ele não chega exatamente como um suplicante, mas também não chega como o líder da única superpotência mundial", conclui o pesquisador.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário