TENSÃO GLOBAL EM ALTA
Trump e Irã elevam ameaças, petróleo dispara
Preços do WTI e Brent sobem mais de 3% nesta terça-feira, 12 de maio de 2026. Cessar-fogo entre as potências está "por um fio", com o mundo em alerta máximo.
A escalada de tensões entre os Estados Unidos e o Irã no Oriente Médio disparou os preços internacionais do petróleo nesta terça-feira, 12 de maio de 2026. A postura dos dois países, com o presidente Donald Trump rejeitando uma proposta de acordo de Teerã e ambos intensificando ameaças mútuas, coloca o frágil cessar-fogo "por um fio", gerando apreensão global e impactando diretamente a economia mundial, desde o custo dos combustíveis até a cadeia de suprimentos.
Analistas do mercado observam com preocupação a instabilidade crescente. Por volta das 8h15 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para junho do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) apresentava alta de 3,74%, sendo negociado a US$ 101,74. No mesmo horário, o contrato futuro para julho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) registrava um avanço de 3,53%, atingindo US$ 107,89. Na sessão da última segunda-feira, 11 de maio de 2026, o petróleo já havia fechado em alta, com o WTI para junho subindo 2,78% (US$ 98,07) e o brent para julho com 2,88% de valorização (US$ 104,21).
Nova escalada de provocações ameaça cessar-fogo
EUA e Irã iniciaram uma nova rota de colisão retórica nos últimos dias. A intensificação das provocações públicas entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e autoridades iranianas aprofundou a crise diplomática e colocou sob severa ameaça o já precário cessar-fogo, firmado entre os dois países no mês passado. Embora negociações indiretas prossigam sob a mediação do Paquistão, Washington e Teerã voltaram a trocar farpas, ameaças militares e críticas públicas após novos incidentes próximos ao Estreito de Ormuz, um ponto vital e sensível para o conflito.
Durante o fim de semana, Trump já havia dado início à nova retórica ao publicar nas redes sociais imagens geradas por inteligência artificial que ironizavam o Irã. Uma das postagens mostrava navios afundados com a legenda "Marinha iraniana". Em outra, drones eram abatidos por uma embarcação norte-americana, acompanhados da frase "tchau, tchau, drones". Essas publicações precederam a declaração do republicano de que a nova proposta iraniana para encerrar o conflito era "totalmente inaceitável".
Na segunda-feira, 11 de maio de 2026, o presidente norte-americano reiterou que o cessar-fogo estava "por um fio" e atravessava seu momento "mais crítico". "É incrivelmente fraco. Eu o chamaria de o mais fraco no momento. Depois de ler aquele lixo que eles nos enviaram (proposta do Irã para encerrar a guerra), eu nem terminei de ler. Eu diria que o cessar-fogo está em estado crítico", afirmou o republicano. Trump também qualificou integrantes da liderança iraniana como "lunáticos", acusando Teerã de mudar de posição constantemente durante as negociações.
Irã ameaça com urânio enriquecido a 90%
Em resposta às tensões crescentes, o Irã ameaçou enriquecer urânio a 90% caso os EUA voltem a atacar o país. A declaração foi feita pelo porta-voz do parlamento, Ebrahim Rezaei, pelas redes sociais, na madrugada desta terça-feira, 12 de maio de 2026. Segundo ele, essa seria uma opção a ser avaliada pelo parlamento. "Uma das opções do Irã, em caso de um novo ataque, poderia ser o enriquecimento a 90%. Vamos examinar no parlamento", disse Rezaei. O urânio enriquecido a 90% é suficiente para construir uma bomba nuclear. Até então, estima-se que Teerã possua urânio já enriquecido a 60%.
No domingo, o Irã havia apresentado uma proposta para encerrar a guerra. O acordo, segundo a mídia iraniana, previa o fim da guerra em todas as frentes, a interrupção das ofensivas israelenses no Líbano, a retirada de sanções americanas, o desbloqueio de ativos iranianos congelados e o fim do bloqueio naval imposto pelos EUA contra embarcações ligadas ao Irã.
Missão militar em Ormuz para garantir navegação
Diante da iminente ameaça à navegação, mais de 40 países se reúnem nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, sob a liderança do Reino Unido e França, para discutir os preparativos de uma possível missão militar. O objetivo é interromper o bloqueio imposto pelo Irã no estratégico Estreito de Ormuz. Este será o segundo encontro entre as nações que concordaram com a missão multinacional, com os países representados por seus respectivos ministros da Defesa em formato virtual.
O governo britânico informou que as discussões focarão em planejamentos para a futura missão, ainda sem data definida, visando "restaurar a confiança na navegação comercial ao longo dessa rota comercial crucial". Os esforços liderados pelo Reino Unido e pela França foram anunciados em 13 de abril. O presidente francês, Emmanuel Macron, descreveu a missão como "estritamente defensiva", a ser implantada "quando a situação permitir".
Embora a operação ainda não tenha data para sair do papel, forças britânicas já se posicionaram na região. No sábado, o governo do Reino Unido anunciou o envio do navio de guerra HMS Dragon para o Oriente Médio. A embarcação já havia sido deslocada para o Mediterrâneo em março, após um ataque de drones a uma base militar do país no Chipre.
Parcialmente bloqueado desde o início da guerra com os EUA e Israel, o Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos. Considerado o "gargalo" mais importante do mundo para a energia, ele concentra cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL), sendo crucial para a estabilidade da economia global.
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