TENSÕES DIPLOMÁTICAS
Trump critica Brasil em Evian e confunde filhos de Bolsonaro
Presidente dos EUA aponta instabilidade política no Brasil e demonstra desconhecimento sobre cenário eleitoral. Lula responde e pede cautela.
Em uma declaração que adicionou um novo capítulo às tensões diplomáticas entre Washington e Brasília, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o cenário político brasileiro durante sua participação na cúpula do G7 em Evian, na França. Questionado por uma jornalista sobre sua relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e temas bilaterais sensíveis, Trump afirmou ter tido conversas longas com o chefe de Estado brasileiro, mas aproveitou a ocasião para externar suas preocupações sobre a instabilidade percebida no país. A declaração, feita nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, levanta questões sobre o impacto dessas críticas na dignidade da nação e na percepção internacional do Brasil.
Trump descreveu o Brasil como "um país um pouco complicado, não é? Politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente", avaliando que o país atravessa um momento de instabilidade. As afirmações surgiram em um contexto de divergências crescentes entre os dois países, abrangendo questões comerciais e institucionais. A fala do líder americano ocorreu após ser questionado pela repórter Bianca Rothier, da TV Globo, sobre conversas hipotéticas envolvendo tarifas de produtos brasileiros e a possível classificação de organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.
Em um momento de notório desconhecimento sobre o panorama político nacional, o presidente norte-americano confundiu os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Trump mencionou ter sido informado de que "Bolsonaro Jr." teria sido preso no Texas por declarações e estaria liderando pesquisas eleitorais, uma informação que não reflete a realidade atual. Esta confusão ocorreu um dia após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenar o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro por tentativa de interferência em processo relacionado a investigações da Corte. É importante notar que o processo ainda não transitou em julgado e Eduardo Bolsonaro encontra-se nos Estados Unidos, sem ordem de prisão em vigor. Além disso, ele não é o pré-candidato mais associado a uma candidatura presidencial ligada ao bolsonarismo, posição mais frequentemente ligada ao senador Flávio Bolsonaro, que não responde ao mesmo processo.
As declarações de Trump também incluíram uma comparação com o cenário eleitoral dos Estados Unidos, reiterando suas alegações sobre a integridade das eleições americanas. "Eles jogam duro, mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos. Nossas eleições são totalmente roubadas", afirmou, retomando contestações sobre o processo eleitoral de 2020, já refutadas por autoridades e decisões judiciais nos Estados Unidos.
A resposta do governo brasileiro não demorou. Em entrevista coletiva, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu que a percepção de Trump sobre o Brasil é limitada e possivelmente influenciada por membros da família Bolsonaro. Lula expressou também o desejo de que os Estados Unidos não interfiram no processo eleitoral brasileiro. O presidente brasileiro indicou que uma conversa bilateral formal neste momento não é necessária, pois as negociações e cooperações entre os países seguem fluindo pelos canais diplomáticos e comerciais estabelecidos, sem que tenha havido solicitação formal de uma reunião reservada durante a cúpula.
Este episódio de troca de críticas públicas evidencia as persistentes divergências entre os dois líderes, apesar da manutenção dos canais institucionais. A citação de processos judiciais envolvendo aliados de Jair Bolsonaro e comentários sobre potenciais candidaturas para 2026 demonstra o crescente peso da política interna brasileira no debate internacional, amplificando a repercussão de questões judiciais e eleitorais nacionais no palco diplomático.
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