PAZ NA ÁSIA
Trump anuncia reabertura total do Estreito de Ormuz após acordo com Irã
Presidente dos EUA informou que Estreito de Ormuz será reaberto a partir de 19 de junho, um dia após cerimônia presencial de acordo histórico em Genebra. Detalhes sobre programa nuclear iraniano e sanções ainda geram incerteza.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira, 16 de junho de 2026, que o Estreito de Ormuz será "totalmente reaberto" a partir de sexta-feira, 19 de junho. A decisão ocorre em um momento crucial, com a iminente assinatura formal do acordo que visa encerrar o conflito de mais de três meses entre os EUA e o Irã no Oriente Médio. A cerimônia presencial do acordo está marcada para Genebra, na Suíça, nesta sexta-feira.
Um dos pontos centrais do acordo, que ainda não teve todos os detalhes oficialmente divulgados, prevê a reabertura completa do Estreito de Ormuz para o tráfego naval. O Irã havia fechado parcialmente o canal em retaliação a ataques recentes dos EUA e de Israel, que desencadearam a guerra. A declaração de Trump garante a reabertura total e imediata do estreito a partir da data estipulada.
O acordo também assegura, segundo o presidente americano, que o Irã não possuirá armas nucleares. Trump expressou otimismo quanto à rápida conclusão das tratativas futuras sobre o programa nuclear iraniano, afirmando que "o Irã quer resolver isso. Eles precisam retomar os negócios, e o relacionamento agora está normalizado, então acho que vai acontecer bem rápido", declarou a jornalistas. Ele também mencionou a intenção de submeter o texto integral do acordo ao Congresso dos Estados Unidos, uma ideia que, segundo ele, gostou após ser questionado.
O que se sabe e o que permanece em aberto sobre o acordo
O anúncio do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã marca um cessar-fogo inicial, uma trégua nos ataques, e não o fim definitivo do conflito. A guerra só terminaria se as partes chegarem a um consenso sobre o futuro do programa nuclear iraniano, tema que segue sendo um ponto de divergência. Enquanto os EUA exigem o fim completo do programa, alegando que ele serve para a criação de armas nucleares, o Irã sustenta que suas atividades nucleares são estritamente para fins civis.
O acordo foi anunciado no domingo, 14 de junho de 2026, com assinatura virtual pelo presidente dos EUA, Donald Trump, seu vice J.D. Vance, e o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf. No entanto, a assinatura presencial em Genebra, na sexta-feira, 19 de junho, é crucial para a validação formal para o Irã, que considera o documento atual um memorando de entendimento.
A implementação oficial de todas as contrapartidas técnicas e jurídicas também valerá a partir da assinatura presencial. Há incertezas sobre a entrada em vigor imediata de todos os termos, com o Hezbollah indicando que Teerã pediu o adiamento para observar o cumprimento das condições pela outra parte.
Termos do acordo e pontos de discórdia
Embora os detalhes completos do acordo ainda não tenham sido oficializados, entre os pontos previstos estão um pacto de não agressão mútua, a reabertura e o livre trânsito nas rotas marítimas do Oriente Médio, discussões sobre compensações ao Irã por danos de guerra, e a gradual suspensão de sanções financeiras, com a retirada de forças de combate dos EUA da região.
Sobre o Estreito de Ormuz, ambos os lados concordaram com a reabertura imediata. Trump afirmou ter ordenado o levantamento do bloqueio naval imposto pela Marinha dos EUA. Contudo, há divergências: o Irã, que controla a movimentação no estreito, anunciou a cobrança de uma "taxa de serviço", o que Trump declarou ser proibido pelo acordo. O Irã também não confirmou o início do tráfego no canal, como Trump havia indicado.
O tema do enriquecimento de urânio foi adiado para debates durante o cessar-fogo. Os EUA exigem o desmantelamento total do programa, com o envio do urânio enriquecido para fora do país, possivelmente para a Rússia. O Irã, no entanto, se opõe a essa condição.
Quanto às sanções, os EUA concordaram em um alívio gradual e condicionado ao cumprimento do acordo, visando restabelecer a exportação de petróleo iraniano. A suspensão das sanções é fundamental para a recuperação econômica do Irã, afetada pelo conflito.
A frente de conflito no Líbano também é um ponto de menor consenso. Enquanto o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, destacou o encerramento de operações militares na região, Israel, aliado dos EUA, declarou que suas tropas permanecerão em "zonas de segurança" no território libanês "até que seja necessário", contrariando a exigência do Irã para a assinatura do acordo, que buscava o fim dos ataques de Israel contra o Hezbollah.
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