DIPLOMACIA EM CRISE

Planalto dosa resposta após revogação de visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti nos EUA

Fachada do Palácio do Planalto em Brasília.
Maria Luiza Ribeiro Viotti permanece em Washington enquanto governo brasileiro busca solução diplomática.

Governo brasileiro adota postura cautelosa para evitar uso político do caso por aliados de Trump; embaixadora permanece em Washington para contornar impasse.

O Palácio do Planalto definiu uma estratégia de cautela diante da revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A decisão de dosar a reação oficial foi tomada para evitar que o episódio seja utilizado como combustível para novos ataques da gestão Trump, o que poderia gerar desdobramentos negativos no cenário político interno brasileiro.

Conforme apuração de Jussara Soares, analista de Política da CNN Brasil, interlocutores governamentais defendem uma resposta contida à medida imposta pelos norte-americanos. O receio central é que qualquer movimento precipitado ofereça munição política para Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência da República, em um momento de alta sensibilidade eleitoral.

Preservação da embaixadora

Para evitar novos constrangimentos, a diplomacia brasileira decidiu que Maria Luiza Ribeiro Viotti permanecerá em Washington. A revogação do visto impõe um impedimento logístico: caso a embaixadora deixe os Estados Unidos, ela precisaria solicitar uma nova autorização para retornar, processo que a deixaria vulnerável a novas exposições públicas. Até o momento, ela não foi declarada persona non grata e mantém suas funções.

Impasse sobre o agrément

A tensão diplomática está diretamente ligada ao aval para a nomeação de Daniel Perez, indicado por Donald Trump para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Embora não existam impedimentos formais contra o nome, o Planalto sinalizou que não há prazo para a concessão do agrément. Existe uma convicção no governo de que o aval não será dado antes do pleito brasileiro, visando neutralizar tentativas do Departamento de Estado, sob comando de Marco Rubio, de influenciar o processo eleitoral.

Tanto no Itamaraty quanto no Planalto, o termo utilizado nos bastidores é "chantagem". Apesar da indignação interna, a ordem é de contenção, para que o Brasil não forneça pretextos que beneficiem aliados de Rubio no território brasileiro.

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