DIPLOMACIA E MERCADO
Troyjo: pragmatismo econômico e política são cruciais para resolver impasse tarifário Brasil-EUA
Ex-presidente do banco do Brics, Marcos Troyjo, avalia que escalada de tarifas entre Brasil e Estados Unidos exige diálogo que transcende a economia.
A resolução do impasse tarifário entre Brasil e Estados Unidos demanda não apenas pragmatismo econômico, mas também uma forte articulação política, conforme avalia Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Bando de Desenvolvimento (o banco do Brics). Ele ressalta que a relação bilateral está intensamente politizada, o que dificulta um entendimento puramente técnico.
Troyjo expressou sua preocupação durante um evento em São Paulo, reunindo autoridades e economistas. "Não consigo lembrar de um momento que as duas maiores democracias estivessem tão distantes", declarou, evidenciando a complexidade do cenário atual.
O contexto envolve a possível imposição de novas tarifas por parte dos Estados Unidos contra o Brasil, com base na Seção 301. Essa legislação americana prevê a aplicação de alíquotas sobre exportações brasileiras, uma medida que está sob investigação do governo de Donald Trump e cuja decisão final está prevista para 15 de julho de 2026, após consultas públicas e audiências.
O ex-presidente do banco do Brics enfatizou a importância de salvaguardar o fluxo de investimentos entre as duas economias. Apesar de especialistas avaliarem que o impacto imediato de novas tarifas possa ser limitado, o alerta se volta para o risco de uma escalada, especialmente se o Brasil adotar medidas de reciprocidade.
Cassiana Fernandes, economista-chefe para América Latina do J.P. Morgan, corroborou essa visão, pontuando a necessidade de "reduzir fricções sem prejudicar o investimento direto no país". Ela destacou que o principal risco reside na possibilidade de uma escalada nas tensões comerciais, uma vez que o Brasil, ao mesmo tempo em que negocia, pode anunciar medidas retaliatórias.
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