JUSTIÇA GARANTE PROCESSO

TJPI mantém tornozeleira eletrônica de promotor e ex-assessor

Promotor Maurício Verdejo em gravação da investigação
Promotor convida vítima para comemorar arquivamento de denúncia: 'vamo tomar uma' — Foto: Reprodução/TV Clube

Decisão, válida por 90 dias, visa proteger apuração de esquema de R$ 3 milhões. Medidas valem até agosto de 2026.

O Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) decidiu renovar, nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, o uso de tornozeleira eletrônica para o promotor de Justiça Maurício Verdejo Gonçalves Júnior e o ex-assessor André Ricardo Bispo Lima. Os dois são acusados de exigir R$ 3 milhões para arquivar uma investigação, e a medida, válida por mais 90 dias, visa proteger a coleta de depoimentos e provas, garantindo a lisura do processo e a confiança da sociedade na Justiça.

A decisão atendeu a um pedido formal do Ministério Público, que busca assegurar a segurança do processo enquanto este avança para a fase crucial de coleta de depoimentos e produção de provas. Para o promotor Maurício Verdejo, a determinação da Justiça se estende até 3 de agosto de 2026. Já para André Ricardo, o prazo finaliza em 26 de agosto de 2026.

Ambos os réus respondem a uma ação penal por crimes como extorsão, abuso de poder e tráfico de influência. Além do monitoramento eletrônico, eles continuam impedidos de acessar qualquer prédio do Ministério Público e de manter contato entre si, com a vítima ou com servidores da instituição, medidas que buscam preservar a integridade das investigações.

O promotor Maurício Verdejo permanece afastado de suas funções, enquanto André Ricardo cumpre restrições adicionais. Entre elas, estão o recolhimento domiciliar durante a noite e nos fins de semana, além da proibição de deixar a cidade de Teresina.

Vídeos em alta no g1

O histórico de violações das medidas impostas motivou o endurecimento das restrições contra o ex-assessor André Ricardo. O desembargador, ao proferir a decisão, sublinhou que a vigilância eletrônica é crucial para "resguardar a integridade da apuração criminal", especialmente após registros de que André Ricardo permitiu que a tornozeleira descarregasse. Este sistema, destacou o magistrado, é vital para fiscalizar o cumprimento das restrições de horários e deslocamento impostas pela Justiça, garantindo que os réus não comprometam o andamento do processo.

A investigação sobre o caso teve início após a denúncia do empresário Junno Pinheiro, que alegou ter sido alvo de uma exigência de R$ 3 milhões por parte do promotor. O valor seria cobrado para arquivar uma investigação e para que Maurício Verdejo interferisse em outro processo criminal. O pano de fundo do caso envolve contratos de aluguel de equipamentos hospitalares realizados sem a devida licitação.

Em vídeo exclusivo, promotor suspeito de exigir R$ 2 milhões convida vítima para comemorar

Gravações obtidas durante a investigação revelam o promotor e o ex-assessor negociando os valores. Em um dos vídeos, Verdejo é flagrado dizendo: “Vou pegar tudo e vou fazer a análise, falo que não tem nada e pronto. Quando passar dessa fase, ‘vamo’ tomar uma para comemorar”. Essa fala choca, pois demonstra o desprezo pela seriedade da função pública e pela dor da vítima.

A Polícia Federal (PF) conseguiu flagrar a entrega de R$ 500 mil. Durante as buscas na residência de Maurício Verdejo, foram encontrados quase R$ 900 mil em dinheiro. O promotor também é acusado de ter bloqueado remotamente o celular que seria apreendido, numa tentativa de impedir o acesso a dados cruciais para a investigação.

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