DESASTRE SE AGRAVA
Terremotos na Venezuela: número de mortos sobe para 1.719 em meio a desastre crescente
Seis dias após os tremores de magnitude 7,2 e 7,5, mais de 5 mil pessoas estão feridas e dezenas de milhares desaparecidas. Sistema de saúde colapsa e infraestrutura precária agrava a crise.
A Venezuela enfrenta o agravamento de uma tragédia natural sem precedentes, seis dias após os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingirem o norte do país. O balanço oficial divulgado nesta quarta-feira, 01/07/2026, aponta para 1.719 mortos, enquanto mais de 5 mil pessoas ficaram feridas e dezenas de milhares continuam desaparecidas. Com a diminuição das chances de encontrar sobreviventes sob os escombros, as operações de resgate concentram esforços na recuperação de corpos e a pressão aumenta sobre um sistema de saúde já debilitado pela crise econômica.
Desde os abalos sísmicos, registrados na semana passada, o país contabilizou 609 réplicas, a mais intensa com magnitude 4,2 na manhã de segunda-feira, gerando novo pânico, mas sem danos adicionais. Os tremores principais, os mais fortes em mais de um século, impactaram principalmente o estado costeiro de La Guaira, epicentro de vítimas e desaparecidos.

A dimensão dos danos materiais ainda está em cálculo. Um levantamento preliminar baseado em imagens de satélite estima que 58.870 edifícios possam ter sido destruídos ou danificados. Outras avaliações, como a do programa europeu Copernicus, identificaram 434 edifícios destruídos e 1.304 danificados. O Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) calcula cerca de 9.868 construções afetadas. O governo venezuelano reconhece oficialmente danos em 855 edificações, com 189 desabadas.
A infraestrutura precária do país ampliou os efeitos da tragédia. Hospitais, equipamentos públicos e estruturas de emergência operavam com limitações antes mesmo do desastre, agravados pela escassez de equipamentos pesados para resgate, que sobrecarregou moradores e voluntários.
Especialistas alertam que o número de vítimas fatais continuará a crescer com a recuperação dos corpos. O colapso de edifícios de concreto armado exige maquinário especializado para operações eficientes. Engenheiros destacam que, com o conhecimento atual em engenharia sísmica, estruturas deveriam resistir a terremotos dessa magnitude, indicando falhas construtivas.
A tragédia expôs o colapso do sistema de saúde. Em La Guaira, apenas um hospital funciona integralmente; outros sofreram danos ou operam parcialmente, com pacientes atendidos em áreas abertas por risco de desabamentos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) relata superlotação, acúmulo de cirurgias, falta de profissionais e risco de surtos de doenças infecciosas entre desabrigados.
Profissionais de saúde relatam falta de água corrente, uso de soro fisiológico para higiene, e escassez de materiais como sacos para cadáveres e câmaras frigoríficas. Portas de madeira e caminhonetes públicas são improvisadas como macas e veículos funerários.
O governo estima 12 mil desabrigados, mas organismos internacionais apontam números maiores. A Organização Internacional para as Migrações calcula mais de 6,7 milhões de venezuelanos impactados. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alerta para 680 mil crianças necessitando de assistência. A ONU estima prejuízos econômicos de US$ 6,7 bilhões, 6% do PIB do país.
Cerca de 25 mil agentes venezuelanos e 2,7 mil socorristas internacionais atuam no resgate. Moradores, contudo, denunciam lentidão na ajuda oficial, creditando as primeiras vidas salvas à ação espontânea da população. Em La Guaira, máquinas interrompem o trabalho frequentemente para buscas de sobreviventes.
Além da destruição, cresce a insatisfação popular com a falta de água, energia elétrica e restrições de acesso às áreas atingidas pela militarização. "Somos nós mesmos que fazemos tudo. Nós mesmos nos ajudamos e confiamos em Deus", desabafou a moradora Dayana Lean, 51 anos.
Internacionalmente, os Estados Unidos ampliaram a ajuda humanitária para US$ 300 milhões, direcionados a organizações não governamentais. Outros países intensificaram o envio de equipes de resgate, medicamentos e suprimentos essenciais.
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