SAÚDE MASCULINA EM ALERTA

Mitos da fertilidade: o boom de influenciadores e os protocolos sem comprovação científica

Homem preparando bolsa de gelo para utilizar como método controverso de fertilidade
Simon, de 28 anos, segue uma rotina de várias etapas na tentativa de proteger sua fertilidade — Foto: BBC

Homens recorrem a métodos extremos, como bolsas de gelo, para proteger a fertilidade, impulsionados por uma onda de desinformação nas redes sociais.

Uma rotina inusitada, que inclui o uso de bolsas de gelo na virilha e banhos de sauna, tem ganhado força entre homens preocupados em preservar sua fertilidade. A prática, adotada por pessoas como Simon, de 28 anos, faz parte de um crescente movimento de "biohacking" que promete otimizar a contagem de espermatozoides, embora careça de qualquer respaldo da ciência médica.

O fenômeno é alimentado por influenciadores digitais e conteúdos virais em plataformas como TikTok e Instagram. O foco da preocupação recai sobre o medo de que a queda na qualidade do sêmen possa sinalizar problemas endócrinos mais profundos — uma associação que, segundo especialistas, é infundada, já que a baixa contagem espermática não causa, por si só, falhas no sistema hormonal.

Especialistas em fertilidade masculina relatam um aumento na busca por exames de espermograma, muitas vezes impulsionado pela ansiedade gerada por figuras como o ex-bilionário do Vale do Silício, Bryan Johnson. Em seu protocolo Blueprint, ele dissemina métodos como o uso de gelo, que, apesar de atrair milhões de seguidores, não apresenta evidências clínicas que justifiquem seu uso como estratégia de saúde reprodutiva.

A discussão ocorre em um contexto de preocupação global sobre as taxas de natalidade. Relatórios recentes da ONU, como o World Population Prospects 2025, indicam mudanças demográficas significativas, mas apontam fatores econômicos e sociais — como a instabilidade política e financeira — como as causas principais para a queda na fecundidade, superando questões puramente biológicas.

O professor Suks Minhas, especialista no Reino Unido, alerta que o excesso de informação sem filtro na rede pode ser prejudicial. "É importante dar mais visibilidade à infertilidade masculina, mas será que estamos alimentando essa preocupação de forma desnecessária?", questiona. Enquanto isso, o professor Channa Jayasena, do Imperial College London, reforça que, embora existam desafios reais quanto à saúde reprodutiva, o alarmismo destoa do que a ciência estabeleceu até o momento.

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