DECISÃO RECENTE

Tenente-coronel acusado de feminicídio é aposentado pela PM de São Paulo; relembre o caso

Foto ilustrativa de um tenente-coronel da Polícia Militar.
Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi transferido para a reserva.

Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob acusação de feminicídio e fraude processual, é transferido para a reserva da corporação. A medida foi publicada no Diário Oficial nesta terça-feira (9), com processos judicial e administrativo ainda em andamento.

A Polícia Militar de São Paulo formalizou, na última terça-feira (9), a passagem para a reserva do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. A decisão, publicada no Diário Oficial do Estado, ocorre enquanto o oficial permanece preso preventivamente desde 18 de março, acusado de feminicídio contra a soldado Gisele Alves Santana e de fraude processual. A iniciativa se assemelha a uma aposentadoria dentro da hierarquia militar e foi assinada pelo coronel Antonio Thomazelli Júnior, diretor de Inatividade e Pensão Militar, nesta quarta-feira, 10/06/2026.

Embora o ato administrativo já tivesse sido comunicado previamente, sua validade oficial se concretizou com a publicação. Dessa forma, o oficial passa a compor a reserva da corporação, mantendo seu vínculo previdenciário enquanto os processos judicial e administrativo seguem em curso. A medida, no entanto, gerou críticas por parte da defesa da vítima.

O advogado Miguel José da Silva Junior, que representa a família da soldado Gisele Alves Santana, expressou surpresa nas redes sociais com a celeridade da corporação em conceder a transferência para a reserva. Segundo o jurista, a decisão pode transmitir a impressão de que benefícios estão sendo assegurados ao acusado, mesmo diante da gravidade das acusações que pesam contra ele, impactando a dignidade da memória de Gisele e a busca por justiça.

A soldado Gisele Alves Santana, esposa do tenente-coronel, foi encontrada sem vida em 18 de fevereiro deste ano, no apartamento do casal na capital paulista, com um ferimento de arma de fogo na cabeça. Inicialmente, o oficial comunicou às autoridades que se tratava de um suicídio. Contudo, a investigação, apoiada por laudos do Instituto Médico Legal (IML) que apontaram sinais de agressão incompatíveis com a hipótese de suicídio, passou a tratar o caso como morte suspeita. Familiares da vítima sempre contestaram a versão apresentada pelo militar.

Em nota oficial, a Polícia Militar esclareceu que a transferência para a reserva obedece à legislação vigente e não impede a responsabilização criminal ou administrativa do oficial. A corporação ressaltou que qualquer perda de patente, cargo ou remuneração dependerá de uma decisão definitiva do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo.

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