CONTAS PÚBLICAS EM FOCO

TCU aprova contas do governo Lula com ressalvas e destaca preocupações fiscais

Prédio do Tribunal de Contas da União (TCU).
Tribunal de Contas da União (TCU) analisa contas públicas.

Ministro Benjamin Zymler apontou fragilidades na trajetória da dívida pública, rigidez de gastos e governança de renúncias fiscais. Aprovação com ressalvas sinaliza para o Executivo pontos que demandam aprimoramento.

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou, com ressalvas, as contas do presidente da República relativas ao exercício financeiro de 2025. A decisão, tomada nesta quinta-feira, 11/06/2026, e seguida por unanimidade, contou com o parecer do relator, ministro Benjamin Zymler, que, ao votar pela aprovação, também destacou pontos de atenção para a gestão fiscal do governo.

Em seu voto, Zymler identificou a trajetória da dívida pública, a rigidez do gasto público e a governança das renúncias de receitas como fatores de preocupação que tornam a análise do período complexa. Segundo o ministro, o resultado previdenciário continua sendo um dos principais responsáveis pela pressão estrutural nas finanças públicas.

"A mensagem final dessa análise, desse parecer prévio, é no sentido de que haja atenção do Congresso, do governo e da sociedade a alguns aspectos fundamentais que tornam a análise feita problemática ainda. A trajetória da dívida pública preocupa, a rigidez do gasto público no Brasil e a governança das renúncias de receitas tal qual colocado no nosso trabalho", declarou Zymler.

A aprovação com ressalvas significa que, embora as contas estejam em conformidade geral com os princípios constitucionais e legais, foram registradas distorções materialmente relevantes. Essas falhas não comprometem a fidedignidade global das informações, mas evidenciam fragilidades que necessitam de aprimoramento por parte do Poder Executivo Federal.

A análise da Corte de Contas detalhou oito "achados" relacionados a riscos, fragilidades e impactos nas finanças públicas.

Correios: O TCU constatou falhas na análise e aprovação de garantia da União aos Correios para um crédito de R$ 12 bilhões em dezembro de 2025. Houve ausência de exame crítico das premissas do plano de reestruturação da estatal, com validação de dados da própria empresa sem verificação independente. A União foi considerada tardia em sua atuação como acionista controladora.

Esforço fiscal insuficiente: Apesar de o governo ter cumprido a meta fiscal de 2025, o esforço foi considerado materialmente insuficiente para estabilizar a dívida pública. Auditores do TCU apontam a necessidade de um superávit de 1,94% do PIB por ano para estabilizar a dívida em 2029, contrastando com a projeção de 0,25% para o ano corrente.

Meta fiscal e equilíbrio: O alcance da meta fiscal de 2025 não se traduziu em fortalecimento do equilíbrio fiscal. O TCU ressaltou a exclusão de R$ 48,7 bilhões do cálculo da meta e uma alteração legal que, segundo a Corte, flexibilizou o parâmetro operacional de ajuste fiscal, fragilizando a previsibilidade das regras.

Receitas e despesas fora do Orçamento: Foram identificados mecanismos que permitem a destinação de receitas sem recolhimento à Conta Única do Tesouro Nacional (CUTN) e sem inclusão nas leis orçamentárias, como a remuneração da PPSA (Petróleo Pré-Sal S.A.) sem trânsito pela CUTN.

Gastos tributários: A renúncia fiscal de 2025, estimada em R$ 544,4 bilhões, apresentou falhas. Setenta e quatro por cento dos gastos não passaram por avaliação recente, e 42% dos benefícios criados em 2012 possuem prazo indeterminado ou superior a 5 anos, contrariando a regra de vigência máxima.

Metas do PPA: O Plano Plurianual (PPA) 2024-2027 registrou o cumprimento de apenas 50,1% de seus objetivos e 45,1% de suas entregas.

Obras paradas: A programação orçamentária da Codevasf e de ministérios incluiu novos projetos sem a conclusão de empreendimentos em andamento, contrariando a norma que prioriza a conservação de patrimônio.

Regra de ouro pressionada: Projeções para 2026-2029 indicam desequilíbrio estrutural e maior dependência de crédito. O cumprimento em 2025 foi viabilizado por remanejamento de fontes e uso de superávit de exercícios anteriores.

As ressalvas identificadas dividem o relatório em quatro capítulos: Execução orçamentária e financeira; Conformidade da gestão fiscal; Resultado da atuação governamental; e Demonstrações contábeis (Balanço Geral da União). Os alertas servem como sinalização ao Poder Executivo para fatores de risco e deficiências que demandam atenção e providências.

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