TENSA RUPTURA POLÍTICA

Lula endurece contra emendas e Flávio Bolsonaro ataca decisões do STF

Arte ilustrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) — Foto: Arte g1

O governo propõe mudanças na gestão do Orçamento para conter o Congresso, enquanto Flávio Bolsonaro questiona a imparcialidade do Judiciário após restrições impostas a Jair Bolsonaro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra o modelo atual de emendas parlamentares, propondo alterações estruturais na gestão do Orçamento federal que prometem tensionar a relação entre o Executivo e o Congresso Nacional. A postura, consolidada em um documento do governo, aponta que o sistema atual, incluindo emendas impositivas e o orçamento secreto, distorce a alocação de recursos e prejudica a eficiência administrativa.

O governo defende que a mudança é essencial para a transparência e ressalta que o atual formato dispersa verbas públicas. Além disso, o Palácio do Planalto condiciona a criação de um Ministério da Segurança Pública à aprovação de uma PEC específica pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, sob comando de Davi Alcolumbre (União-AP). O diálogo também deve incluir propostas populares, como o fim da escala 6x1, buscando recompor pontes com o Legislativo após um período de ruídos.

Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ampliou seus ataques ao STF. No domingo (9), o parlamentar manifestou revolta contra uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, que negou autorização para uma visita a Jair Bolsonaro durante o Dia dos Pais. O ministro manteve a restrição sob o argumento de descumprimento de medidas judiciais previamente estabelecidas, permitindo apenas atendimentos médicos e jurídicos ao ex-presidente.

Durante evento em Itapetininga (SP), Flávio Bolsonaro reiterou críticas à Corte e afirmou que a bancada da direita buscará influenciar futuras nomeações de magistrados que, segundo ele, foquem no estrito cumprimento da Constituição. A articulação visa, principalmente, o fortalecimento de candidaturas conservadoras ao Senado Federal, casa responsável por analisar eventuais processos de impeachment de ministros do Supremo.

Sobre as críticas do governo ao Legislativo, o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, argumentou que o objetivo não é o confronto, mas a correção de prerrogativas que, na visão governista, foram indevidamente usurpadas de outros Poderes da República.

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