CONTAS DO GOVERNO EM XEQUE

TCU aprova contas de 2025, mas alerta para riscos fiscais e dívida pública

Prédio do Tribunal de Contas da União
TCU aprova contas e faz alertas fiscais

Tribunal de Contas da União aprova gestão fiscal de 2025 com ressalvas; alerta sobre endividamento e estatais. Congresso Nacional decide o futuro.

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou as contas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva referentes ao exercício de 2025. A decisão, tomada em 12/06/2026, acompanhou um parecer favorável que, contudo, apresentou uma série de ressalvas e alertas cruciais sobre a condução da política fiscal, a situação financeira de empresas estatais e o crescimento de mecanismos que podem pressionar as contas públicas nos próximos anos.

O relatório, elaborado pelo ministro Benjamin Zymler e aprovado por unanimidade pela Corte, será encaminhado ao Congresso Nacional, responsável pela decisão final. Embora tenha reconhecido o cumprimento da meta fiscal de 2025, o TCU avaliou que o resultado foi alcançado mediante exclusões relevantes de despesas e em um contexto de deterioração dos indicadores da dívida pública.

Imagem ilustrativa do prédio do Tribunal de Contas da União.
TCU aprova contas e faz alertas fiscais

“Nós opinamos pela aprovação da execução orçamentária no exercício de 2025, mas apontamos uma lista de inconformidades que precisam ser sanadas”, afirmou Zymler durante a sessão.

Entre os principais pontos de preocupação está a concessão de garantia da União para um empréstimo de R$ 12 bilhões obtido pelos Correios em 2025. Segundo o tribunal, a operação foi realizada sem embasamento técnico suficiente. O TCU determinou que o governo revise os riscos associados ao financiamento e também ao novo empréstimo de R$ 6 bilhões previsto para ser contratado até 2027.

A Corte também chamou atenção para a situação das estatais não dependentes do Tesouro Nacional. De acordo com o relatório, diversas empresas apresentam projeções de prejuízos sucessivos até 2030 e poderão necessitar de aportes financeiros da União para manter suas operações. A ausência de monitoramento adequado pode resultar na transferência desses custos para toda a sociedade, impactando a dignidade e o bem-estar coletivo.

Outro alerta envolve o uso crescente de fundos públicos voltados à concessão de crédito. Embora essas operações não sejam contabilizadas diretamente nas regras fiscais, elas ampliam o endividamento do setor público. O TCU observou que o governo continuou expandindo esses mecanismos ao longo de 2026, ano marcado pelo calendário eleitoral, com potenciais reflexos futuros para o cidadão.

A análise também apontou preocupações em relação à sustentabilidade da dívida pública. Segundo estimativas apresentadas pelo tribunal, existe um hiato fiscal de R$ 306,2 bilhões — diferença entre o esforço fiscal planejado e o resultado necessário para estabilizar a trajetória da dívida. Mesmo com crescimento econômico e arrecadação recorde, a dívida bruta alcançou 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025.

O relatório destaca ainda uma aparente divergência entre as políticas fiscal e monetária. Enquanto o Banco Central do Brasil manteve a taxa Selic em 15% ao ano, o governo ampliou programas de crédito direcionado e linhas subsidiadas, aumentando a oferta de recursos na economia e gerando incerteza sobre o controle inflacionário.

A meta fiscal de 2025 foi formalmente cumprida, mas o resultado dependeu de ajustes relevantes. O governo registrou déficit primário de R$ 58,687 bilhões, equivalente a 0,46% do PIB. Para atingir a meta, porém, foram desconsideradas despesas que somaram R$ 48,7 bilhões. A meta permitia um déficit de até 0,25% do PIB.

Entre as ressalvas aprovadas pela Corte está a atuação da PPSA, responsável pela comercialização do petróleo da União. O tribunal questiona uma alteração legal que autorizou a empresa a descontar custos operacionais dos recursos repassados ao governo federal, medida que pode configurar execução de despesas fora do Orçamento, impactando a transparência dos gastos públicos.

O crescimento dos benefícios tributários, financeiros e creditícios também motivou críticas. Em 2025, esses incentivos atingiram R$ 759 bilhões, valor equivalente a quase 13 vezes o déficit primário. Foram criados 21 novos mecanismos de renúncia fiscal, com impacto potencial de R$ 135,5 bilhões ao longo da próxima década, afetando a capacidade do Estado de prover serviços essenciais.

A auditoria identificou ainda irregularidades em dez desses benefícios, que não atenderam integralmente às exigências legais para sua criação. O ministro Jorge Oliveira defendeu maior rigor na avaliação dessas políticas públicas. “Em um cenário de forte deterioração fiscal, não é mais possível tratar benefícios bilionários sem avaliação rigorosa sobre seus resultados e seus impactos para as contas públicas”, afirmou.

O parecer do TCU incorporou ressalvas relacionadas à inclusão de novos projetos de investimento pelos ministérios das Cidades e do Desenvolvimento Regional sem a conclusão de obras já iniciadas, prática que pode contrariar a Lei de Responsabilidade Fiscal e desperdiçar recursos públicos.

Apesar da aprovação das contas, os apontamentos do tribunal indicam que a administração federal continuará sob escrutínio quanto à evolução da dívida pública, ao desempenho das estatais e à expansão de benefícios tributários. Estes temas deverão permanecer no centro do debate fiscal, com consequências diretas para a sociedade nos próximos anos.

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