ALERTA COMERCIAL

Tarifas dos EUA podem impactar 54% das exportações brasileiras, alerta CNI

Terminal de contêineres em um porto brasileiro.
Terminal de contêineres em Paranaguá, no Paraná.

Confederação da Indústria estima que mais da metade dos embarques ao mercado americano enfrentarão taxas adicionais, afetando setores como ferro gusa.

## CNI Estima Impacto Severo nas Exportações Brasileiras com Novas Tarifas dos EUA [caption id="" align="aligncenter"]

Porto de Paranaguá com contêineres[/caption] Mais da metade das exportações brasileiras para os Estados Unidos poderá ser afetada por tarifas adicionais, caso as propostas apresentadas pelo USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) avancem. A estimativa foi divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira, 15 de junho de 2026. O impacto potencial eleva a preocupação no setor produtivo brasileiro sobre a competitividade e a segurança econômica. Segundo a CNI, cerca de 31,6% dos embarques destinados ao mercado norte-americano poderiam passar a pagar uma tarifa total de 37,5%, um acréscimo significativo em relação aos atuais 10%. Adicionalmente, outros 3,6% das exportações teriam a tarifa elevada de 10% para 12,5%. Se consideradas as novas medidas isoladamente, 35,2% das exportações seriam atingidas. Ao somar as tarifas setoriais já existentes, baseadas na Seção 232 da legislação dos Estados Unidos, a parcela de produtos brasileiros sujeitos a taxação adicional sobe para 54,1%, evidenciando a amplitude do possível impacto. A CNI ressalta que as medidas propostas ainda não são definitivas e estão sujeitas a um processo de consulta pública e audiências antes de uma decisão final do governo americano. Este período de análise representa uma janela de oportunidade para o diálogo e a apresentação de argumentos técnicos por parte do Brasil. O presidente da CNI, Ricardo Alban, enfatizou que o aumento tarifário não traria benefícios mútuos, mas sim elevaria custos para empresas, diminuiria a competitividade e geraria incertezas para investimentos. Ele defendeu o diálogo como o caminho mais eficiente, pautado em critérios técnicos e na busca por soluções que fortaleçam a parceria econômica estratégica entre os dois países. Entre os produtos que podem enfrentar a tarifa de 37,5% estão ferro gusa não ligado, açúcar de cana em forma sólida, sebo não comestível, álcool etílico não desnaturado e molduras de madeira de pinho. O ferro gusa, um dos itens de maior relevância, registrou exportações de US$ 1,5 bilhão para os Estados Unidos em 2024. Outros produtos, como minério de ferro em pelotas, lajes de quartzito, óleos essenciais de laranja, silício e pasta química de madeira, também podem ter suas tarifas elevadas para 12,5%. As propostas de tarifas são resultado de duas investigações conduzidas pelo USTR sob a Seção 301 da legislação comercial americana. Uma delas, iniciada em julho de 2025 e focada especificamente no Brasil, apontou práticas restritivas ao comércio dos Estados Unidos em áreas como comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao etanol e combate ao desmatamento. Como resultado, foi proposta uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções para 1.698 códigos tarifários, incluindo café, suco de laranja e carne. A segunda investigação, que abrangeu quase 90 países e abordou a questão do trabalho forçado, incluiu o Brasil entre as nações que, segundo o USTR, não aplicam efetivamente restrições à importação de bens produzidos com trabalho forçado. Neste caso, a proposta é uma tarifa adicional de 12,5%, com isenção para 1.655 códigos tarifários. Quando ambas as medidas se aplicam a um mesmo produto, a tarifa adicional combinada pode atingir 37,5%. As audiências públicas destinadas a debater essas investigações estão agendadas para os dias 6 e 7 de julho.

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