PROTEÇÃO COMERCIAL EXTERNA

Tarifa de 37,5% ameaça setores de máquinas, calçados e têxteis

Indústria brasileira de confecções sob pressão de novas tarifas
Trabalhadores em linha de produção têxtil no Brasil

A nova alíquota dos Estados Unidos eleva a carga tributária sobre produtos brasileiros. Associação Brasileira da Indústria Téxtil aponta perda de competitividade.

A imposição de uma carga tributária total de 37,5% sobre produtos brasileiros, incluindo máquinas, calçados, autopeças e itens têxteis, gera preocupação sobre a capacidade de competição das empresas nacionais no mercado internacional. A decisão foi comunicada pelo governo dos Estados Unidos nesta 5ª feira (23.jul.2026), somando uma nova alíquota de 12,5% à tarifa de 25% já vigente.

A medida, segundo o ministro de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, impacta diretamente a estrutura de exportações do Brasil. Para os empresários, o cenário representa um novo obstáculo comercial que compromete a estabilidade das relações entre as duas nações.

Fernando Pimentel, diretor superintendente e presidente emérito da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), destaca que a elevação tarifária favorece a indústria local norte-americana. Ele reforça que a justificativa utilizada por Washington para a taxação — o combate ao trabalho escravo — é contestada pela entidade, que defende a eficácia da legislação brasileira e dos mecanismos de fiscalização vigentes no país.

O setor têxtil sente o peso de forma acentuada. Os Estados Unidos representam o 4º maior destino das exportações do setor, com fatias relevantes em nichos como moda praia (35%), vestidos e saias (30%) e meias (27%). Com a nova pressão tarifária, a Abit defende que o Brasil intensifique negociações diplomáticas e busque novas alternativas de mercado.

Além da pressão externa, Pimentel alerta para o avanço de importações asiáticas no mercado interno. Para o setor, o desafio exige mais do que auxílios emergenciais, como o programa Brasil Soberano: é necessária uma pauta estrutural focada na redução do custo Brasil e no fortalecimento da política industrial.

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