DIPLOMACIA E COMÉRCIO

Governo rebate sobretaxa dos Estados Unidos e adia medidas de reciprocidade

Fachada do Palácio do Planalto em Brasília.
Palácio do Planalto sinaliza reação diplomática enquanto avalia impactos eleitorais das sanções americanas.

Palácio do Planalto contesta tarifa de 12,5% imposta por Washington. Aplicação de leis de reciprocidade ficará para o período pós-eleitoral.

O governo brasileiro manifestou formalmente seu descontentamento contra a sobretaxa de 12,5% aplicada pelos Estados Unidos a produtos nacionais, sob a justificativa de uma investigação sobre trabalho forçado. A posição oficial foi comunicada em nota na noite de quinta-feira (23), evidenciando uma resposta estratégica já estruturada pelo Palácio do Planalto para o momento do anúncio de Washington.

Na argumentação apresentada, o Brasil refuta a legitimidade da sanção, classificando a medida como uma substituição artificial de tarifas anteriormente derrubadas pela Suprema Corte americana. O documento oficial destaca que o Ministério do Trabalho e Emprego tem fornecido dados técnicos que comprovam o empenho brasileiro no combate ao trabalho forçado, reforçando o compromisso do país com as diretrizes da Organização Internacional do Trabalho. O governo ressaltou, inclusive, ser signatário de 66 convenções da entidade, contra apenas 10 adesões por parte dos Estados Unidos.

Diante do impasse, o governo anunciou a intenção de recorrer à Organização Mundial do Comércio e acionar a lei de reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional. Contudo, o movimento possui caráter majoritariamente político. Conforme apurado pelo repórter Danilo Moliterno, a cúpula do governo reconhece a importância de firmar uma posição pública firme, embora não haja definição sobre a aplicação prática das retaliações.

O trâmite para uma possível retaliação tarifária exige etapas rigorosas, como consultas aos setores produtivos e análises técnicas, processos que sequer foram iniciados. Segundo a analista de Política da CNN Jussara Soares, a decisão sobre a efetividade da lei de reciprocidade deve ser postergada para após as eleições de 2026. A estratégia visa ganhar tempo em um calendário eleitoral acirrado, marcado pela disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Nos bastidores, a leitura é de que o cenário internacional permanece em compasso de espera. A expectativa é que Donald Trump mantenha cautela em relação a negociações diretas com o Brasil antes do desfecho das urnas, evitando que qualquer interlocução seja interpretada como capital político para a atual gestão.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário