GOVERNADOR EXPÕE VINCULAÇÃO

Tarcísio de Freitas revela que operador do PCC guardava dinheiro para Deolane Bezerra

Deolane Bezerra em foto, após ser citada em operação policial
Imagem colorida mostra Deolane Bezerra após prisão em SP. Metrópoles

Em operação contra lavagem de dinheiro do PCC, um dos presos, apontado como operador financeiro, tinha quantia em espécie destinada à influenciadora, segundo Tarcísio de Freitas. A investigação aponta a ligação de Deolane com a facção.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou, nesta quinta-feira, 21/05/2026, que um homem preso por ser operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) possuía uma caixa de dinheiro destinada à influenciadora Deolane Bezerra. A declaração ocorreu em Bauru, interior paulista, durante agenda pública, ao comentar uma operação da Polícia Civil que também investiga a própria Deolane, além de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, seu irmão Alejandro Camacho, e dois sobrinhos do líder do PCC. A ação policial visa desarticular esquemas de lavagem de dinheiro da facção criminosa.

Segundo Tarcísio de Freitas, a ação policial tem como objetivo a "asfixia financeira" do PCC, que utiliza "negócios aparentemente lícitos" para movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas. O suposto operador financeiro, identificado como Everton de Souza, conhecido pelos codinomes "Player" ou "Temer", era responsável pela gestão de bens e pelo direcionamento de fluxos financeiros para a cúpula da facção, especificamente para Marcola e Alejandro.

A investigação policial aponta Everton de Souza como o elo que levou à influenciadora Deolane Bezerra. Segundo apuração, a influenciadora é tratada como membro da facção criminosa. A reportagem buscou contato com a defesa de Deolane Bezerra para comentar a informação sobre a caixa de dinheiro, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto.

Vínculo entre Deolane Bezerra e o operador do PCC

A polícia chegou até Deolane Bezerra por meio de Everton de Souza, o "Player" ou "Temer". Ele é descrito como um intermediador e operador financeiro do PCC, atuando na gestão de bens e no direcionamento de fundos para Marcola e Alejandro. A ligação entre Everton e Deolane Bezerra Santos foi considerada crucial pela investigação para comprovar a participação da advogada nos esquemas de lavagem de dinheiro da facção.

Everton de Souza, na função de gestor indireto da Transportadora Lopes Lemos, empresa apontada como fachada, orientava o administrador Ciro César Lemos a realizar depósitos em contas bancárias de Deolane Bezerra. Esses pagamentos faziam parte de acertos mensais ou "balancetes" da facção. A investigação identificou 34 transações com intermediários idênticos, indicando uma estratégia de fragmentação de trilhas financeiras (layering).

Ambos, Everton e Deolane, teriam utilizado os serviços de Eduardo Affonso Rodrigues, apontado como contador do esquema. Ele seria o responsável por constituir e manter empresas de fachada para os investigados. Essas empresas são descritas como "espelho", operando em endereços residenciais sem atividade real e, por vezes, compartilhando o mesmo local físico para diferentes CNPJs.

Deolane Bezerra também figura como representante legal de Everton de Souza em registros policiais e como testemunha em ocorrências onde ele aparece como vítima. A relação entre os dois se aprofunda com a declaração de Everton em interrogatório de que alugava um apartamento da advogada no bairro Tatuapé, em São Paulo, por R$ 5 mil mensais.

De acordo com a polícia, depoimentos de ex-integrantes do PCC e registros em redes sociais sugerem uma amizade íntima entre Deolane Bezerra e Everton de Souza, com a presença dele em eventos familiares da advogada.

Além de Deolane Bezerra, a operação desta quinta-feira teve como alvo Marcola, atualmente detido na Penitenciária Federal de Brasília, seu irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior (já preso) e os sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho. Everton de Souza também foi detido.

Cronologia da Operação contra Deolane Bezerra e o PCC

  • 2019: Investigação tem início com a apreensão de bilhetes em poder de detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os manuscritos detalhavam a dinâmica interna do PCC, a atuação de lideranças e possíveis ataques contra agentes públicos.
  • Segunda Etapa: A Polícia Civil identificou menções a uma "mulher da transportadora", que teria auxiliado no levantamento de endereços de servidores públicos para planejar ataques do PCC. Essa pista levou a uma transportadora, dando início a uma nova fase investigativa.
  • 2021 (Operação Lado a Lado): A operação revelou o uso da transportadora como braço financeiro do PCC, com movimentações financeiras incompatíveis e crescimento econômico sem lastro. Um celular apreendido continha indícios de repasses financeiros para Deolane Bezerra e vínculos estreitos dela com gestores fantasmas da transportadora.
  • Posição de Destaque: Investigadores apontam que Deolane Bezerra passou a ocupar posição de destaque no caso devido a movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com o comando do PCC. Levantamentos indicaram recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição de bens de alto padrão, o que fundamentou o desdobramento da operação nesta quinta-feira.

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