GOVERNADOR ADMITE FALHA

Tarcísio de Freitas pede desculpas por roubos de celular em SP e promete combater receptação

Governador Tarcísio de Freitas em evento de entrega de viaturas.
O Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante evento em São Paulo para entrega de viaturas às polícias.

Tarcísio de Freitas reconhece o impacto de roubos de celular na vida dos cidadãos e promete ações mais eficazes contra a receptação de aparelhos, vista como motor do crime.

Em um pronunciamento que busca resgatar a confiança pública, o Governador Tarcísio de Freitas pediu desculpas pelos roubos e furtos de celulares ocorridos em São Paulo. A declaração, feita durante um evento de entrega de viaturas e armamentos para as polícias paulistas nesta quarta-feira, 17/06/2026, surge em meio ao reconhecimento de que o Estado falhou em garantir a segurança dos cidadãos contra esses crimes. O chefe do Executivo paulista, pré-candidato à reeleição, admitiu o trauma e a dor causados pelos assaltos, muitos deles violentos, e assegurou que a gestão não se omitirá diante da persistência dessas ocorrências, que afetam diretamente a sensação de paz da população.

Tarcísio de Freitas reconheceu a necessidade de ações mais contundentes, afirmando que, apesar da queda nos indicadores gerais de criminalidade, a ocorrência de roubos de celulares impede que os cidadãos vivam em tranquilidade. "Não vamos nos esconder atrás dos indicadores. Eles estão caindo muito, mas enquanto tiver o cidadão sendo roubado e tendo o celular subtraído, nós não vamos descansar. A gente sabe que é o crime que aborrece e que derruba a sensação de segurança. E o cidadão tem direito de ficar em paz", declarou o governador. Ele também destacou a recuperação de mais de 84 mil celulares pelas polícias paulistas neste ano, mas ponderou que é imperativo avançar.

O foco principal da promessa de combate se voltará para a receptação de aparelhos roubados, identificada pelo governador como o principal motor financeiro que alimenta a criminalidade nas ruas. Utilizando a analogia com o desmantelamento da dinâmica da Cracolândia, Tarcísio de Freitas comparou o roubo de celulares a um "negócio" que precisa ser extirpado. "Se tem alguém cometendo o furto na rua, tem alguém ganhando dinheiro com isso. [...] E quando a gente percebeu isso, conseguiu desmontar todo o castelo de cartas que possibilitava o funcionamento da Cracolândia. Não vai ser diferente com isso [roubo de celulares]", afirmou, indicando uma estratégia de ataque às redes que lucram com crimes.

Os números da Secretaria da Segurança Pública (SSP) revelam a dimensão do problema na capital. Em 2025, São Paulo registrou 154.058 roubos e furtos de celulares, o que representa uma média alarmante de cerca de 17 aparelhos levados a cada hora. Este número é ligeiramente superior aos 153.820 casos de 2024, e ainda acima dos 138.633 registrados em 2023. Embora a polícia tenha devolvido 10.477 celulares em 2025, o índice de recuperação representa pouco mais de 6% do total subtraído. As regiões Central (República, Santa Ifigênia, Liberdade e Jardins) foram as mais afetadas, seguidas pelas Zonas Oeste (Pinheiros e Vila Romana) e Sul (Itaim Bibi e Santo Amaro).

Para mitigar essa onda de crimes, o programa SP Mobile foi implementado em junho do ano passado. O sistema busca cruzar informações de aparelhos roubados com dados fornecidos por operadoras de telefonia, identificando celulares que voltam a ser ativados. Ao detectar um aparelho roubado em uso, o sistema emite alertas aos usuários, informando sobre a situação irregular e orientando sobre os procedimentos para regularização. A iniciativa busca, em última instância, desestimular a compra e venda de dispositivos de origem ilícita.

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