VIOLÊNCIA CONTRA ESTUDANTES

Adolescentes denunciam abusos sexuais na Escola Municipal Madre Iva Bezerra de Araújo

Fachada da Escola Municipal Madre Iva Bezerra de Araújo
Escola Municipal Madre Iva Bezerra de Araújo, no bairro da Charnequinha, no Cabo de Santo Agostinho — Foto: Reprodução/Google Street View

Defesa aponta omissão da unidade escolar após ataques contra alunas de 14 anos durante o intervalo; prefeitura nega negligência.

Duas adolescentes de 14 anos denunciaram episódios de abuso sexual ocorridos nas dependências da Escola Municipal Madre Iva Bezerra de Araújo, situada no bairro da Charnequinha, em Cabo de Santo Agostinho. Conforme detalhado pela defesa das jovens, os crimes teriam sido perpetrados por cinco colegas do 9º ano durante o horário do intervalo, aproveitando-se de momentos em que as vítimas permaneciam em sala de aula.

Os relatos indicam que a primeira violência ocorreu na segunda-feira (3). Ao tentar lanchar na sala, uma das estudantes foi surpreendida pelo grupo, que apagou as luzes e utilizou força física para imobilizá-la e cometer os abusos. A proteção da identidade das menores é preservada em respeito às diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A advogada Luanny Porto, representante das famílias, sustenta que houve falha na resposta institucional. Segundo ela, a agressão foi comunicada à direção da escola imediatamente após o fato, porém, nenhuma medida preventiva ou de acolhimento foi adotada na ocasião. O cenário de medo foi agravado por ameaças de morte feitas pelos agressores, o que silenciou inicialmente a vítima diante de sua família.

Uma segunda estudante, que já enfrentava histórico de vulnerabilidade, decidiu denunciar um abuso similar sofrido cerca de um mês antes, encorajada pela repercussão do caso recente. Ambas as vítimas formalizaram a denúncia na 14° Delegacia da Mulher, em Pontezinha, e foram submetidas a exames sexológicos no Instituto de Medicina Legal (IML).

Desde terça-feira (4), as adolescentes não frequentam as aulas. O caso foi encaminhado ao Conselho Tutelar e será levado ao Ministério Público de Pernambuco. A defesa alega ainda que, em reunião realizada na quarta-feira (5), a direção da escola teria sugerido a desistência do boletim de ocorrência, sob o pretexto de preservar a imagem da unidade durante as ações do Agosto Lilás.

Em resposta, a prefeitura do Cabo de Santo Agostinho declarou, por meio de nota oficial, que as alunas estão recebendo o suporte necessário, incluindo acompanhamento psicológico e jurídico. A administração municipal assegurou que um procedimento administrativo foi aberto e que não houve omissão por parte da Secretaria Educação, reafirmando o compromisso com a proteção dos estudantes e a colaboração integral com as autoridades policiais.

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