FENÔMENO EXTREMO

Super El Niño pode agravar doenças cardiovasculares e infecciosas no Brasil

Gráfico ilustrando o aumento da temperatura do Oceano Pacífico, associado ao fenômeno El Niño.
Fenômeno El Niño pode intensificar ondas de calor e aumentar riscos à saúde da população brasileira.

Especialistas alertam para o aumento de riscos de AVC, infartos, arboviroses e doenças respiratórias com a chegada do "Super El Niño", que intensifica ondas de calor e alterações climáticas. Medidas preventivas são cruciais para proteger a saúde da população, especialmente a mais vulnerável.

O "Super El Niño", fenômeno climático que se caracteriza pelo aumento das temperaturas no Oceano Pacífico, tem sua chegada prevista entre maio e junho de 2026, com potencial para impactar significativamente a saúde dos brasileiros. A intensificação do fenômeno, potencializada por condições climáticas globais, gera preocupações entre especialistas. No Brasil, as projeções indicam uma dualidade climática: enquanto algumas regiões enfrentarão seca acentuada no Norte e Nordeste, outras, como Sul e Sudeste, deverão registrar maior volume de chuvas. Esta alternância climática e o aumento das temperaturas globais, já evidenciados em ciclos anteriores como o de 2023 e 2024, trazem riscos concretos à saúde individual e coletiva.

As ondas de calor intenso representam um perigo iminente para o sistema cardiovascular. A exposição prolongada a altas temperaturas provoca desidratação severa, com a perda de água e eletrólitos essenciais através do suor. Essa condição força o coração a trabalhar mais, elevando o risco de complicações, especialmente para indivíduos com doenças cardíacas pré-existentes, como hipertensão ou histórico de infarto. Luiz Aparecido Bortolotto, médico cardiologista e diretor da Unidade de Hipertensão do InCor-HCFMUSP, explica que a perda de eletrólitos e as alterações no fluxo sanguíneo aumentam a chance de arritmias. O sangue torna-se mais viscoso, elevando a probabilidade de formação de coágulos, o que pode levar a quadros graves como acidentes vasculares cerebrais (AVC) ou infartos. As altas temperaturas também podem causar quedas abruptas de pressão arterial, colocando idosos em situação de risco acentuado.

A combinação de calor intenso e umidade elevada cria um ambiente propício para a proliferação de vetores de doenças infecciosas. Arboviroses, como dengue e chikungunya, transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, tendem a aumentar. O especialista alerta também para o risco de circulação de malária em regiões mais suscetíveis, impulsionada pela atividade do mosquito Anopheles cruzii, vetor comum em áreas de Mata Atlântica. Paralelamente, a qualidade do ar, alterada pelas condições climáticas adversas, pode potencializar doenças respiratórias, incluindo bronquiolite, asma e disseminação de infecções como a influenza. Essas condições exigem medidas preventivas robustas, tanto por parte das autoridades quanto da população.

Para mitigar os efeitos das altas temperaturas e outros fenômenos climáticos adversos, Bortolotto recomenda a adoção de medidas de longo prazo. A criação de áreas verdes mais extensas ajuda a manter ambientes mais frescos, enquanto a disponibilização pública de fontes de água potável em locais estratégicos é fundamental. A irrigação adequada de regiões sujeitas à estiagem é outra medida crucial para combater o aumento da poluição do ar, que se agrava em períodos de seca. A orientação para que a população evite a exposição direta ao sol e a atividades externas nos horários de pico de calor é uma estratégia de proteção individual e coletiva indispensável durante todo o período de alerta.

*Com informações de CNN

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