DECISÃO DA JUSTIÇA

STJ nega pedido e permite que PF pericie material apreendido em São Miguel (RN)

Prédio do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Sede do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Brasília.

Superior Tribunal de Justiça mantém autorização para perícia de documentos e aparelhos recolhidos na Operação Mederi, que investiga desvio de recursos na saúde. O caso envolve o prefeito de São Miguel e seu irmão.

O prefeito de São Miguel, Leandro Michel do Rego Lima, e seu irmão, Lincoln Micaele Rêgo Lima, tiveram um pedido negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). A decisão impede a paralisação da Operação Mederi e mantém a autorização para que a Polícia Federal (PF) pericie todo o material apreendido com os investigados. A medida frustra a tentativa da defesa de anular a operação e manter lacrados documentos e aparelhos recolhidos em janeiro deste ano.

O ministro relator Joel Ilan Paciornik indeferiu o pedido de urgência, confirmando que os agentes federais poderão examinar os itens apreendidos. A Operação Mederi investiga o suposto desvio de recursos federais destinados à saúde pública em cinco municípios do Rio Grande do Norte. A decisão, comunicada nesta sexta-feira, 22/05/2026, tem impacto direto na continuidade das investigações sobre a gestão dos fundos públicos e na dignidade das pessoas envolvidas, que agora terão suas ações sob escrutínio técnico e legal.

A defesa dos irmãos havia recorrido ao STJ contra uma decisão anterior do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), que originalmente autorizou as buscas e apreensões. Advogados argumentaram que a operação configurava "pescaria probatória", baseada em menções indiretas e diálogos de terceiros sem provas documentais concretas. Contestaram também a classificação de Lincoln como chefe de gabinete da Prefeitura de São Miguel, afirmando que ele não possui vínculo formal com o órgão.

Contudo, o relatório da Polícia Federal apresenta uma perspectiva diferente, apontando o irmão do prefeito como peça-chave em um suposto esquema. Segundo a PF, Lincoln seria o principal articulador no direcionamento de licitações e no pagamento de propinas no município. Há indicações nos autos de que impasses sobre repasses ilícitos eram levados diretamente a ele para decisão, incluindo orientações para aumentar quantitativos em contratos.

O processo também revela que Lincoln teria mencionado a terceiros que o prefeito, médico de profissão, faturava cerca de R$ 100 mil mensais antes de assumir o cargo. Ele teria dito que o salário de prefeito não cobria seus custos, sendo necessário "compor a coisa" para manter o padrão de vida. Quanto ao prefeito Leandro Michel, as investigações apontam sua participação direta em reuniões sobre o direcionamento de contratos com distribuidoras de medicamentos sob investigação.

Registros oficiais indicam que o Fundo Municipal de Saúde de São Miguel destinou R$ 718.164,76 à empresa Dismed, com movimentações financeiras expressivas em 2024. Durante o cumprimento dos mandados na residência de Lincoln, a PF apreendeu documentos, como a escritura de um terreno, mas não encontrou dinheiro em espécie. Com a negativa da liminar no STJ, a Polícia Federal prossegue com a análise minuciosa do material coletado. O processo aguarda agora o parecer do Ministério Público Federal antes de seguir para o julgamento definitivo.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário