CRIME ORGANIZADO DESARTICULADO

STF transfere policial aposentado por risco a investigações

Marilson Roseno da Silva, policial aposentado, em transferência para presídio federal.
Policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva algemado, sendo levado para presídio federal em aeronave da Polícia Federal.

Decisão do ministro André Mendonça visa conter influência externa de Marilson Roseno da Silva na Operação Compliance Zero.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a transferência do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, de 56 anos, para o sistema prisional federal, concretizada nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026. A decisão foi tomada porque, mesmo sob custódia, Marilson da Silva continuava a receber informações privilegiadas sobre diligências policiais, indicando a persistência de uma rede externa ativa e sua capacidade de influenciar investigações. Essa medida é crucial para proteger a integridade da Operação Compliance Zero e combater a atuação de uma organização criminosa que, segundo a Polícia Federal, minava a dignidade da justiça ao intimidar pessoas e obter dados sigilosos.

Acompanhada pela equipe do Globocop, a saída de Marilson da Silva de Belo Horizonte ocorreu no Aeroporto da Pampulha. Imagens capturaram o momento em que o investigado deixou um hangar algemado, sendo conduzido a uma aeronave da Polícia Federal, que havia chegado de Brasília por volta das 11h09. Marilson da Silva está detido desde 4 de março de 2026, quando foi alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero.

Apontado pela Polícia Federal como um dos principais articuladores do esquema criminoso, Marilson Roseno da Silva é suspeito de usar sua experiência e contatos na corporação para obter dados sigilosos. Ele teria agido em ações de vigilância e monitoramento de alvos definidos pela organização. A PF ainda tenta contato com a defesa do investigado.

As investigações apontam que Marilson coletava informações que poderiam antecipar ou neutralizar riscos de apurações oficiais, além de monitorar jornalistas e ex-funcionários ligados ao caso. Conforme a PF, ele era considerado a liderança operacional de um núcleo conhecido como “turma”, atuando em benefício do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O objetivo era a obtenção ilegal de informações e a intimidação de pessoas relacionadas às apurações.

A persistência da influência de Marilson, mesmo após sua prisão, foi o fator determinante para a decisão do ministro André Mendonça. O magistrado destacou que o recebimento de informações sobre diligências policiais fora do presídio demonstra uma rede externa ativa e a contínua capacidade de Marilson da Silva de influenciar outros integrantes do grupo que estão em liberdade.

A Polícia Federal reforça que Marilson recebia ordens do núcleo central da organização e coordenava ações de monitoramento, intimidação e obtenção de dados sigilosos. Conversas interceptadas pela investigação revelam, inclusive, uma cobrança de Marilson a Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, por pagamentos atrasados. Henrique teria respondido que enviaria R$ 400 mil, valor que os investigadores consideram um repasse ao grupo criminoso.

A transferência ocorre em meio à sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quinta-feira, 14 de maio de 2026, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre suspeitos de integrar uma organização criminosa. Este grupo é acusado de intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasão de dispositivos informáticos.

Determinados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Medidas como afastamento de cargos públicos, além de bloqueio e sequestro de bens, também foram impostas.

Os investigados podem responder por crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.

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