MÁFIA DA ESPIONAGEM
STF prende Henrique Vorcaro em operação contra espionagem
Investigação da PF aponta pai de Daniel Vorcaro como líder de esquema que movimentou até R$ 800 mil com hackers e policiais.
O Supremo Tribunal Federal (STF), por decisão do Ministro André Mendonça, autorizou nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, a 6ª fase da Operação Compliance Zero, que culminou na prisão de Henrique Vorcaro, pai do fundador do Banco Master Daniel Vorcaro. A ação visa desmantelar um complexo esquema de intimidação, monitoramento ilegal e obtenção de dados sigilosos, supostamente liderado por Vorcaro, revelando o grave impacto na privacidade de indivíduos e na lisura do ambiente empresarial brasileiro.
A decisão, parte da investigação da Polícia Federal, aponta Henrique Vorcaro como "demandante, beneficiário e operador financeiro" de um grupo especializado em táticas de intimidação e espionagem. Segundo o documento do Ministro Mendonça, há fortes indícios de uma estrutura criminosa robusta.
A PF identificou dois núcleos distintos dentro da organização. O primeiro, denominado "A Turma", dedicava-se a ameaças e intimidações presenciais, além de obter informações sigilosas e realizar acessos indevidos a sistemas governamentais. O segundo núcleo, conhecido como "Os Meninos", focava em ataques cibernéticos, derrubada de perfis online e monitoramento telemático ilegal, evidenciando uma grave violação da dignidade e segurança digital das vítimas.
A investigação mostra que Henrique Vorcaro mantinha comunicação constante com os integrantes da organização, inclusive após as primeiras fases da operação. Mensagens interceptadas, presentes na decisão, revelam sua continuidade no esquema. Em uma delas, ele afirma: "no momento em que estou é que preciso de vocês", frase interpretada pelos investigadores como prova da persistência da relação com o grupo criminoso.
Henrique Vorcaro também financiava as atividades do grupo. Conversas interceptadas mencionam repasses de R$ 400 mil e discussões sobre pagamentos que poderiam chegar a R$ 800 mil para a manutenção das operações ilegais. Estes valores ressaltam a dimensão financeira e a complexidade da estrutura sob investigação.
O objetivo principal do grupo era monitorar, intimidar e pressionar adversários e críticos relacionados ao caso envolvendo o Banco Master. Uma parte alarmante da estrutura contava com a participação de policiais federais, tanto da ativa quanto aposentados, o que representa uma profunda quebra de confiança nas instituições de segurança pública e levanta sérias questões sobre a integridade do serviço público.
A prisão de Henrique Vorcaro ocorreu em Belo Horizonte (MG). Além dele, a operação cumpriu outros seis mandados de prisão preventiva e dezessete de busca e apreensão nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. A Corte também determinou o afastamento de indivíduos de cargos públicos, bem como o bloqueio e sequestro de bens, configurando um duro golpe à rede criminosa.
Os investigadores continuam apurando suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional. A defesa da família Vorcaro informou ao Poder360 que não se manifestará sobre a operação em curso.
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