ALERTA NAS EMENDAS
STF investiga uso de verba pública em filme sobre Bolsonaro
Ministro Flávio Dino inicia processo sigiloso após denúncia de Tabata Amaral.
O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), instaurou nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, um processo sigiloso para investigar alegações de direcionamento de emendas parlamentares a projetos culturais, incluindo o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão, motivada por uma denúncia que aponta o possível uso de recursos públicos para marketing eleitoral, visa aprofundar a apuração sobre a transparência na aplicação de verbas legislativas, um tema de grande relevância para a integridade da administração pública e a confiança dos cidadãos.
No início deste ano, a deputada federal Tabata Amaral protocolou uma denúncia junto ao STF, questionando o possível uso de emendas parlamentares para financiar o filme sobre o ex-presidente e para ações de marketing eleitoral. A parlamentar alertou para um suposto esquema em que empresas, apesar de nomes distintos, operariam como uma única entidade, compartilhando endereço, infraestrutura e a mesma proprietária. Segundo a acusação, um grupo de deputados do PL teria direcionado R$ 2,6 milhões através de "emendas pix" a uma dessas empresas, que posteriormente contrataria serviços de marketing eleitoral de outras companhias vinculadas ao mesmo grupo.
Entre os parlamentares mencionados na denúncia como autores dessas emendas estão Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis e Marcos Pollonio. Mário Frias também é citado por supostamente ter feito aportes a outra empresa do grupo, para, em seguida, contratar serviços de campanha eleitoral de uma companhia relacionada. A produtora do filme sobre Bolsonaro seria uma dessas empresas, de acordo com a deputada Tabata.
O documento elaborado por Tabata Amaral foi inicialmente anexado a um processo que há anos discute a necessidade de maior transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares. Ao receber a denúncia, o ministro Dino solicitou manifestações da Câmara dos Deputados e de três deputados do PL. Até o momento, Mário Frias, que é produtor do longa e ex-secretário de Cultura na gestão Bolsonaro, é o único que não se pronunciou.
A decisão de Dino, tomada nesta sexta-feira, de desmembrar a denúncia do processo original e abrir uma investigação sigilosa em separado, surge após revelações do jornal The Intercept. A publicação informou que Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência, teria solicitado cerca de R$ 130 milhões ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar a produção cinematográfica.
Inicialmente, Flávio Bolsonaro negou veementemente a informação, qualificando-a como "mentirosa". Contudo, posteriormente, ele admitiu ter procurado Vorcaro para discutir o investimento, mas defendeu que não haveria irregularidade em um filho buscar financiamento privado para um filme sobre o próprio pai.
Tanto Flávio Bolsonaro quanto Mário Frias sustentam que a produção do filme "Dark Horse" é financiada integralmente por capital privado. "'Dark Horse' é uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional", afirmou Flávio Bolsonaro, reforçando a narrativa de que a obra se baseia exclusivamente em investimentos particulares.
*Com informações de CNN
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