DECISÃO SOBRE ATIVOS
STF e PF calculam R$ 2,5 bilhões em 'títulos podres' adquiridos pelo BRB
Investigações encabeçadas pelo ministro André Mendonça e pela Polícia Federal indicam prejuízo bilionário ao Banco de Brasília em aquisição de títulos do Banco Master. Governança e impacto na dignidade financeira são pontos de atenção.
O Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF) finalizaram um cálculo que aponta para R$ 2,5 bilhões em "títulos podres" adquiridos pelo BRB (Banco de Brasília). A informação foi revelada pela governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), em entrevista à CNN Brasil nesta sexta-feira, 29/05/2026. A decisão de apurar a origem e o valor desses ativos, que impactam diretamente a saúde financeira do banco público e a confiança dos cidadãos nos serviços prestados, foi tomada em conjunto pelas instituições, conforme apurado pelo ministro André Mendonça, relator do caso, e pela PF.
Celina Leão explicou que a rapidez com que o BRB realizou a aquisição dos ativos do Banco Master, pertencente a Daniel Vorcaro, impediu uma análise prévia sobre a legitimidade de cada título. "Não houve tempo hábil para saber dos ativos que o BRB adquiriu, o que é fraude e o que não é fraude", declarou a governadora. Ela detalhou que alguns dos ativos adquiridos ainda geram fluxos em outras instituições financeiras, e que a situação já foi judicializada, buscando reaver valores e garantir a dignidade da gestão dos recursos públicos.
O impacto financeiro dessa transação tem reflexos diretos na apresentação do balanço do BRB. A governadora informou que o fechamento final das contas de 2025 não será divulgado na data prevista, justamente devido à necessidade de incorporar o prejuízo estimado. "Nós vamos trazer um balanço com certeza positivo, com esse empréstimo que nós estamos trazendo, com toda a questão da liquidez. E nós estamos fazendo uma previsão daquilo que foi já tido, aí, como prejuízo ao banco BRB", pontuou Leão, indicando esforços para mitigar os danos e apresentar resultados que assegurem a confiança.
A divulgação dos resultados financeiros do BRB estava originalmente marcada para o final de março. Contudo, o banco havia comunicado na época que a postergação era necessária para a conclusão de uma auditoria forense, destinada a apurar os eventos relacionados à operação "Compliance Zero". Essa operação, segundo apurações anteriores da CNN Brasil, envolvia a dificuldade do banco em levantar os R$ 6,6 bilhões necessários para a melhoria de seus indicadores de saúde financeira, evidenciando um cenário complexo para a gestão.
Em um esforço para estabilizar a situação, o governo do Distrito Federal formalizou, na quinta-feira, 28/05/2026, um acordo com a União para viabilizar um empréstimo de até R$ 6,5 bilhões junto ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Essa medida visa proporcionar liquidez e reforçar a segurança financeira do BRB, protegendo os interesses dos cidadãos e a estabilidade do sistema financeiro local.
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