ELEIÇÕES E PODER

Disputa pelo Senado em 2026: as estratégias de Lula e Flávio

Foto composta exibindo montagem de figuras políticas influentes nas eleições para o Senado.
Candidatos ao Senado articulam estratégias para a renovação legislativa de 2026.

O Senado renova 54 das 81 cadeiras em pleito crucial. Enquanto Lula busca garantir a governabilidade, Flávio aposta em maioria para enfrentar o STF.

A eleição para o Senado em 2026 ganhou protagonismo inédito nas campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que lideram as pesquisas para o Palácio do Planalto. O pleito, que definirá o equilíbrio de forças no Legislativo pelos próximos anos, impacta diretamente a capacidade de governança do Executivo e a relação com o Poder Judiciário.

Neste ano, o Senado renovará dois terços dos seus integrantes, totalizando 54 das 81 vagas em disputa. A composição da Casa é vital para a estabilidade democrática, visto que possui prerrogativas exclusivas, como processar e julgar o presidente da República e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes de responsabilidade, além de realizar a sabatina e aprovação de autoridades, a exemplo da presidência do Banco Central.

O movimento de Lula pela governabilidade

Para Lula, o desafio central é impedir que a direita consolide uma maioria de 41 senadores, cenário que tornaria o grupo favorito à presidência da Casa em 2027 e criaria obstáculos severos à governabilidade. A experiência recente com as articulações de Davi Alcolumbre (União-AP) mostrou ao governo a complexidade de manter o suporte necessário na Casa.

Em um movimento estratégico, Lula interveio em diretórios estaduais para priorizar candidatos competitivos. No Rio Grande do Sul, o PT abriu mão da cabeça de chapa para apoiar Juliana Brizola (PDT) ao Palácio Piratini, garantindo que o ex-ministro Paulo Pimenta (PT) concorresse ao Senado. Em São Paulo, a aposta recai sobre ex-ministras como Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), enquanto na Bahia, Rui Costa (PT) lidera as intenções de voto.

A investida de Flávio Bolsonaro

Do outro lado, Flávio Bolsonaro busca ampliar a presença do PL e aliados para garantir uma maioria sólida, necessária tanto para aprovar emendas à Constituição quanto para promover pautas de enfrentamento ao STF. Em reunião realizada na terça-feira (11), o senador defendeu abertamente o impeachment do ministro Alexandre de Moraes e a redução da maioridade penal.

A estratégia bolsonarista foca em estados-chave, como Santa Catarina, com Carlos Bolsonaro (PL) e Carol de Toni (PL), e no Paraná, onde aposta no antipetismo com Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL). O objetivo é claro: garantir que o comando do Senado reflita uma pauta de oposição, independentemente do resultado final na disputa presidencial.

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