FIM DA INCERTEZA?

STF define amanhã se motoristas de aplicativo têm vínculo empregatício com plataformas

Imagem ilustrativa de ministros do STF em sessão de julgamento.
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) julgam nesta quarta-feira (24) a questão do vínculo empregatício entre motoristas de aplicativo e plataformas.

A Corte julga nesta quarta-feira (24) processos que podem mudar o modelo de trabalho de milhares de pessoas no Brasil, impactando a economia digital e a dignidade dos trabalhadores. A decisão definirá se aplicam as regras da CLT ou o modelo de 'parceiro'.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidirá nesta quarta-feira, 24 de julho de 2024, se motoristas e entregadores de aplicativo possuem vínculo empregatício com as plataformas. A decisão, que impacta diretamente a vida de milhares de trabalhadores e o futuro da economia digital no Brasil, visa unificar o entendimento do Judiciário sobre a chamada "uberização" e estabelecer um marco regulatório para o setor.

O tema será analisado por meio de dois processos cruciais: um Recurso Extraordinário com repercussão geral envolvendo a Uber e uma Reclamação Constitucional movida pela Rappi. A tese jurídica que o Supremo definir servirá como diretriz obrigatória para todas as instâncias inferiores da Justiça do Trabalho, impactando diretamente a dignidade e os direitos fundamentais dos trabalhadores.

O julgamento chega ao STF em meio a um embate entre decisões do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e a jurisprudência da Corte. No caso da Uber, o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) e a 8ª Turma do TST reconheceram o vínculo de emprego de um motorista com a plataforma, baseando-se na "subordinação algorítmica".

Segundo o entendimento da Justiça do Trabalho, a autonomia do profissional se limita à escolha dos horários, pois a empresa define tarifas, taxas de repasse e rotas. Contudo, decisões recentes do STF têm contrariado essa visão, argumentando que a Constituição Federal protege a livre iniciativa e valida formas de contratação civil e comercial fora do regime da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

O que está em jogo

O relator do recurso da Uber e presidente do STF, ministro Edson Fachin, busca uniformizar a jurisprudência e trazer segurança jurídica. Ele destacou a necessidade de uma resposta "equilibrada, com base nos direitos e deveres constitucionais, que, ao mesmo tempo, seja lúcida e sensível para proteger os trabalhadores e que também compreenda a importância dessa ferramenta para o mundo contemporâneo".

O impacto prático da decisão se divide em duas frentes:

- Se o STF reconhecer o vínculo: As empresas serão obrigadas a registrar os trabalhadores sob as regras da CLT, garantindo direitos como décimo terceiro salário, FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), férias remuneradas e jornada regulamentada. Isso representaria um avanço na dignidade e segurança desses profissionais.

- Se o STF rejeitar o vínculo: Consolida-se o modelo de "motorista parceiro" ou prestador de serviços autônomo, afastando os encargos da CLT. A decisão impactaria o poder de negociação e a proteção social dos trabalhadores.

Em defesa da Uber, a advogada Ana Carolina Caputo Bastos argumentou que o modelo da empresa é de intermediação tecnológica, com adesão voluntária de clientes e motoristas.

PGR

A Procuradoria-Geral da República (PGR), em setembro do ano passado, manifestou-se contra o reconhecimento do vínculo empregatício. O procurador-geral, Paulo Gonet, baseou-se em decisões anteriores do STF, que permitem diferentes formas de contratação e não obrigam um modelo único de emprego, nem impedem estratégias flexíveis ou terceirização.

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