JUSTIÇA FINANCEIRA JÁ
STF avalia prisão de Victor Lima Sedlmaier, suspeito no caso Banco Master
Victor Lima Sedlmaier foi detido em Dubai e deportado, suspeito de atuar para Daniel Vorcaro. Audiência de custódia neste domingo, 17 de maio de 2026, define destino.
Um passo crucial na investigação de fraudes envolvendo o Banco Master será dado neste domingo, 17 de maio de 2026, quando Victor Lima Sedlmaier, apontado como integrante de um grupo hacker que prestava serviços ilícitos a Daniel Vorcaro, dono da instituição, passa por audiência de custódia. A decisão, que pende sobre a manutenção ou revogação de sua prisão preventiva, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), define o futuro imediato do estudante e desenvolvedor de sistemas, e impacta diretamente a busca por justiça em um esquema que abala a confiança pública e financeira.
Sedlmaier foi detido no sábado, 16 de maio de 2026, no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, após ser localizado em Dubai e deportado ao Brasil em uma ação de cooperação internacional. A Polícia Federal o identifica como membro-chave do grupo de hackers “Os Meninos”, que, conforme as investigações, oferecia serviços ao Banco Master, de propriedade de Daniel Vorcaro.
O estudante e desenvolvedor de sistemas era um dos principais alvos da operação da Polícia Federal, iniciada na última quinta-feira, 14 de maio de 2026, que investiga um complexo emaranhado de fraudes no Banco Master. Pesava contra ele um mandado de prisão preventiva, expedido pelo ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF). Até sua captura, Sedlmaier era considerado foragido, tornando sua prisão um avanço significativo para a investigação.
Em seu depoimento à PF, Sedlmaier admitiu ter prestado serviços a David Henrique Alves, que os investigadores apontam como líder do grupo “Os Meninos”. Alves também teve um mandado de prisão preventiva emitido, mas permanece foragido.
O jovem relatou à Polícia Federal que David Henrique Alves atuava em questões de “reputação online” para Daniel Vorcaro. Ele afirmou trabalhar para o líder do grupo desde julho de 2024, dedicando-se ao conserto de computadores e ao desenvolvimento de um software de inteligência artificial.
Sedlmaier revelou receber R$ 2 mil mensais por seus serviços, além de “bônus por serviços eventuais”. Ele também informou ter conhecimento de que Alves trabalhava para Luiz Phillipi Mourão, o indivíduo que a PF classifica como o “Sicário” de Vorcaro, e que recebia uma quantia expressiva de R$ 35 mil mensais.
Além das atribuições mencionadas, a Polícia Federal suspeita que Sedlmaier desempenhou papel como “agente de apoio logístico e na possível ocultação de vestígios” relacionados a David Henrique Alves.
Os investigadores detalham que, no dia da operação que levou à prisão do “Sicário”, Alves foi interceptado pela Polícia Rodoviária Federal dentro de um veículo pertencente a Luiz Phillipi Mourão. No automóvel, foram encontrados computadores e um documento em nome de uma terceira pessoa. A PF ressalta que David não conseguiu justificar sua presença no carro de Mourão.
Na decisão que fundamentou a prisão preventiva, o ministro André Mendonça interpretou a situação como “indicativo de fuga em andamento e possível destruição, remoção ou ocultação de provas digitais”, sublinhando a urgência da medida.
A PF relata que, no dia seguinte à operação, Sedlmaier foi à residência de David Henrique Alves com um caminhão de mudança para remover itens do imóvel. A corporação aponta que o documento encontrado com David no dia anterior, em nome de Marcelo Souza Gonçalves, continha a foto de Sedlmaier, conectando-o diretamente à tentativa de camuflar as evidências.
“A posse simultânea desses objetos, somada ao ingresso no imóvel de DAVID logo após sua saída apressada e ao retorno com caminhão de mudança, compõe quadro indiciário de que VICTOR não apenas conhecia a rotina do líder do grupo, mas teria atuado para manusear, remover ou resguardar bens e equipamentos com potencial relevância probatória, em momento sensível da investigação”, escreveu Mendonça em sua decisão, destacando a complexidade da rede de apoio.
“No mesmo ato, VICTOR fez menção a ‘Rodrigo’, que a autoridade policial identificou como RODRIGO PIMENTA FRANCO AVELAR CAMPOS, o que reforça a atuação concertada entre ambos em favor de DAVID e do núcleo ‘Os Meninos’”, acrescentou o ministro, revelando mais um elo na trama.
A decisão judicial também indica que Victor é sócio de duas drogarias — Drogaria Saúde Vida Ltda. e Nova Farma Drogaria e Cosméticos Ltda. — empresas que, segundo a PF, podem ter sido utilizadas para o recebimento indireto de pagamentos, ampliando as ramificações financeiras do caso.
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