VETO POLÍTICO?

STF avalia anular derrota de Messias no Senado

STF avalia anular derrota de Messias no Senado

Ação questiona processo de votação que barrou indicado de Lula. Decisão de Luiz Fux pode mudar o jogo.

A Associação Civitas para Cidadania e Cultura acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) que busca anular a votação do Senado Federal. Na mira da ação está a rejeição da indicação de Jorge Messias para uma vaga na Corte, um revés que agitou as relações entre o Palácio do Planalto e o Congresso. A entidade argumenta que o processo foi marcado por supostas irregularidades, incluindo a antecipação do resultado e um veto político, levantando sérias dúvidas sobre a lisura e a integridade da deliberação que decidiu o futuro de uma indicação crucial para o judiciário brasileiro.

A ação, distribuída ao ministro Luiz Fux, questiona um ato do poder público que, segundo a associação, violou princípios fundamentais da Constituição. Messias, que havia obtido aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), acabou barrado no plenário do Senado. Ele recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários, ficando aquém dos 41 votos mínimos exigidos para a aprovação ao cargo de ministro do STF. A votação no plenário representou uma derrota para o governo após meses de articulação nos bastidores.

A Associação Civitas sustenta que a reprovação de Messias não refletiu uma deliberação regular do Senado. Conforme a entidade, o processo foi contaminado por supostas irregularidades que comprometem o caráter decisório da Casa. O principal ponto questionado é a conduta do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Ele teria afirmado que Messias “vai perder por oito” instantes antes da proclamação oficial do placar. Para a associação, esta frase revela um conhecimento prévio do resultado, comprometendo a natureza deliberativa da votação.

A entidade também aponta que a suposta antecipação do resultado fere o sigilo do voto, preceito fundamental para deliberações desse tipo no Regimento Interno do Senado. Se o resultado já era de conhecimento da Presidência da Casa antes do anúncio oficial, argumenta a Civitas, o voto secreto perde sua função essencial, minando a confiança no processo democrático.

Além disso, a associação alega desvio de finalidade. A ação defende que o Senado utilizou sua competência constitucional não para avaliar os requisitos técnicos e éticos exigidos para um ministro do Supremo, mas para impor um veto de caráter político à indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A aprovação de Messias na CCJ reforçaria esta tese, uma vez que a comissão já havia atestado sua qualificação, e a posterior rejeição em plenário ocorreu sem a apresentação de fatos novos que justificassem a mudança.

A escolha de Messias tensionou as relações entre o governo Lula e o Congresso desde sua indicação, em novembro do ano passado. Alcolumbre, por exemplo, defendia o nome de Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga. Temendo a rejeição, o Palácio do Planalto formalizou o envio da indicação apenas em abril, buscando tempo para superar resistências entre os senadores. Messias empreendeu esforços para angariar apoio no Senado, mas, conforme noticiado, Alcolumbre o encontrou informalmente apenas dias antes da sabatina, sinalizando a dificuldade do diálogo.

Diante deste cenário, a Associação Civitas pede ao STF que suspenda, em caráter liminar (provisório), os efeitos da votação que rejeitou Messias. No mérito da ação, a solicitação é que a Corte declare a nulidade do ato do Senado e determine a realização de uma nova deliberação sobre a indicação. A partir da distribuição da ação, Luiz Fux torna-se o relator e poderá, a seu critério, solicitar informações ao Senado, ouvir a Procuradoria-Geral da República (PGR) ou decidir de forma monocrática sobre o pedido de liminar. É importante notar que não há um prazo definido para que o ministro profira sua decisão.

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